Quinta-feira, o único presidente do mundo que durante as suas férias tem sempre algo a dizer, todos os dias, mandou que escrevessem: "Neste momento estou completamente desinteressado do que possa suceder à RTP-Madeira. É um instrumento dos meus adversários políticos. O que lhe possa suceder não é problema meu." No dia seguinte, porque ninguém leva a sério o que ele manda escrever, repetiu para mais microfones: "O Governo Regional está desinteressado da RTP-Madeira, porque é um canal que é a voz dos nossos opositores e é utilizada por Lisboa para combater o PSD da Madeira e, portanto, o problema não é meu, o problema é dos senhores que fizeram a RTP desta maneira." Ou seja, o presidente do Governo Regional da Madeira assume que factores absolutamente inócuos para o cidadão madeirense - que temos nós a ver com os supostos adversários do presidente, a quem Jardim classifica de "nossos opositores"? - são motivos suficientes para influenciarem questões que dizem respeito à Madeira. Isto é tão escandaloso, e repetitivo, que já ninguém liga. Mas abramos os olhos: temos um presidente que, por gostar ou não gostar de uma determinada coisa, decide em função desse capricho pessoal. Será que estamos a ver e a ouvir bem? Sim, estamos. E achamos isto normal? Sim, incrivelmente continuamos a dar-lhe crédito. A questão concreta do futuro da RTP-Madeira, de ter ou não ter um canal regional de TV, é algo que interessa aos madeirenses. Tomar decisões sobre essa matéria implica ser responsável, saber fazer contas, ter noção do que é governar. Ao assumir que "o problema não é meu", Jardim é tudo menos o que precisamos de um governante. E Jardim fê-lo duas vezes, em dois dias diferentes, pelo que se exclui o cenário de embriaguez ou de um qualquer outro estado de alucinação. Até o secretário regional dos Assuntos Sociais, que tem a tutela da Comunicação Social, conseguiu ser mais sensato e mais responsável que Jardim. Disse que tudo era ainda prematuro, falou na importância de um projecto audiovisual e que o mesmo precisa de assegurar financiamento. A réstia de esperança para a Madeira é que, em Lisboa, já ninguém liga ao que diz o presidente, aquele que em tempos mandava umas bojardas e todos os ministros se encolhiam. Outros tempos. A forma como foi tratada a questão da RTP-Madeira é apenas um mero exemplo da governação na Madeira. A que se pode contrapor com os 'critérios' de Jardim face ao JM, o que torna tudo ainda mais aberrante. Mas é isto que temos. Jardim continua de férias mais uma semana - deve ser a 7.ª ou 8.ª este ano - e vamos continuar a ouvir deliberações avulsas, diárias, sobre matérias que nos dizem respeito e aos nossos filhos, mas que o presidente vai continuar a abordar em função de ser problema dele ou dos seus opositores. Ou seja, tudo o que não precisamos. Rui Moisés, Presidente da Câmara Santana Apostou em defender a sua terra, Santana, agarrando-se ao argumento da Biosfera e às qualidades naturais da ilha. Ultrapassada a fase da chacota fácil, o autarca é convocado agora para representar Portugal além mar. Dá que pensar. Luís Nunes, Empresário 'Super São Roque' O Supermercado São Roque conseguiu um estatuto próprio no comércio madeirense. E tudo fica a dever-se ao trabalho que ali se desenvolve, com o 'patrão' Luís Nunes a dar o exemplo a todos os colaboradores. Manuel Andrade, Festeiros da Boaventura Em nome da comissão de festeiros, veio a público justificar o investimento de mais de 300 mil euros em cinco dias de festa. Uma quantia também derramada' em vários sectores da economia local. Venham mais destes! José Luís Sousa, 'Madeiracana Drink' Motivados pela crise, ou não, há que ser empreendedor e criar alternativas. Foi o que fez o mentor do sumo de cana de açúcar, que hoje já ostenta uma marca: 'MadeiraCana Drink'. Alguns turistas que nos visitam já aderiram... Virgílio Pereira, Ex-dirigente do PSD-Madeira Mantém uma saudável lucidez na análise desprendida da política madeirense e dos seus protagonistas. Por isso deve mesmo incomodar os instalados, justificando porque é que, a determinada altura, foi posto de parte. É a vida!