Maria G. T. Desde já quero dar os parabéns à autora do artigo de opinião Enfermeiros recém-formados: que futuro? do dia 24 por abordar a difícil situação que estão os enfermeiros recém licenciados e os outros que por motivos vários, resistiram a emigração e estão há anos no desemprego. Mas não resisti á tentação e gostaria de partilhar convosco a minha reflexão; Sabendo por experiência, que ser enfermeiro, é à partida estar disponível para prestar cuidados ao ser humano nas diversas fases da sua vida, em circunstâncias várias e na especificidade de cada um e em cada momento. E, conhecedora da importância da disponibilidade, dedicação, e esforço necessário para responder às exigências, constantes inerentes responsabilidade de quem trabalha com pessoas, em fases criticas da sua vida, porque além do esforço físico, lidar com os nossos semelhantes em sofrimento, é um facto que não nos deixa imunes. Daí, concordar com tudo o que foi dito e gostaria de acrescentar como tópico de reflexão dedicado: Aos Enfermeiros com 2 ou 3 empregos , acredito que, estarão plenamente conscientes dos custos individuais e familiares que essa vida acarreta e o impacto que trará a nível da sua vida pessoal e familiar a curto médio e longo prazo. O enfermeiro é uma pessoa que além de ser um profissional atualizado também é pai, mãe, filho etc, tem também… vida além da enfermagem, precisa ser feliz e realizado. Daí que acreditar que se usufruísse um vencimento justo, ao grau de competência inerentes à sua formação, não teria necessidade de recorrer a este tipo de trabalho e deixar passar muitas vezes etapas importantes da sua vida, em troca de mais alguns trocos. Quanto aos enfermeiros reformados, que com todo o respeito usufruem de uma merecida reforma, mais justa e digna daquela que os enfermeiros em exercício futuramente terão, reflitam pois vão também ser eles consumidores de cuidados de enfermagem e pensem qual no tipo de prestador de cuidados que gostariam de ter. Aos responsáveis pela Formação : Ordem dos Enfermeiros, Escolas de Enfermagem: Com certeza que limitar a vontade de um jovem realizar o sonho de ter a profissão na qual gostaria de laborar ao longa da vida não é uma boa opção, mas dar falsas esperanças e continuar a investir na formação especializada para oferecer de bandeja aos países que não gastam dinheiros públicos na formação, também considero uma afronta às famílias que investem e ao erário público. Aos responsáveis pela saúde; seja ela pública ou privada - estamos em crise isso todos nós sabemos, mas até onde vamos? Ter bons cuidados de saúde e um direito do qualquer cidadão. Só um cidadão com Saúde (física e mental), é capaz de produzir e ser útil à sociedade, produzir riqueza e bem estar para o próprio e para o país. Lembro-me de uma entrevista que me encheu de esperança há algum tempo atrás quando Sr.º Secretário R. da Saúde, abordou a hipótese da exclusividade para os enfermeiros. Porque não? Os médicos têm-na como forma de estarem mais disponíveis para a instituição e consequentemente para o utente. Receber cuidados de um enfermagem, das mãos de um profissional cansado com excesso de horas de trabalho por longos períodos é com certeza diferente de recebê-los de outro, com condições de trabalho normais. Gostaria ainda de lembrar que ,todos nós se não tivermos uma morte súbita, iremos com certeza ser clientes desta classe que de forma competente e dedicada e nos tratará com todos os conhecimentos e técnicas indispensáveis à nossa condição de seres humanos seja qual for a etapa de vida em que nos encontremos. Seja na pública ou na privada na nossa fragilidade quem encontraremos?