Fernando Morna 21 de Agosto… Feriado Municipal. Resolvi aproveitar o dia para ir à praia do Gavinas. Sou um habitual “cliente” daquela praia, seja no Verão ou no Inverno… Mas, não é por isso que eu escrevo… Adiante. Cheguei à praia por volta das 9 horas, cedinho… dirão. Os meus amigos e companheiros de gargalhadas e também de conversas sérias já lá estavam. O mar estava com um pouco de levadia, umas ondas a enrolar, altas, um pouco perigosas, ou a requerer algum cuidado ao entrar na água, ainda mais numa praia de calhau grado. Não me lembro se estaria bandeira amarela ou se ainda não havia bandeira no mastro. Pouco depois um elemento do SANAS (havia dois, um rapaz e uma rapariga) hasteou a bandeira vermelha. Tudo certo. A sua avaliação das condições do mar, obrigavam-no a hastear a bandeira vermelha. O que quer dizer que a partir desse momento estava proibido o acesso ao mar. Aqui é que começa a razão de eu escrever. O rapaz (que deve achar o máximo ser nadador-salvador, andar de calção vermelho pela praia, com aquele “supositório” vermelho na mão, distribuir sorrisos e charme junto das “garinas”) resolve dar o exemplo e atirar-se à água, nadando até uma plataforma que está a cerca de 30 metros da praia para apanhar um pouco de sol. Ora bem, perante este exemplo os outros utentes da praia também começaram a ir a banhos, com a bandeira vermelha no mastro. E não eram só gente adulta e/ou habituada àquela praia e àquelas condições de mar. Eram também crianças, pessoas idosas (algumas com dificuldades de locomoção naquele tipo de praia), pessoas pouco habituadas ao calhau, e, por isso, com dificuldades para entrar e sair do mar, ainda mais naquelas condições. Porque havia gente a ser arrastadas pelas ondas sobre as rochas da praia… coitados, estavam a fazer (alguns) uma esfoliação involuntária. E, perante esta situação, que fazia aquele par de nadadores-salvadores? Nada, népia, nadinha, tipo estou cá mas não estou… Estavam mais interessados em ler o DIÁRIO ou em comer a sandocha enquanto, sentados, apanhavam um pouco de sol. E a bandeira vermelha continuava no mastro. Um amigo ligou para a Protecção Civil, relatou o que se passava. Foi-lhe dito que o SANAS seria posto ao corrente da situação. Se interveio ou não… não sei. E a bandeira continuava vermelha. Passados alguns minutos um indivíduo estrangeiro aproximou-se da água com o filho, que devia ter dez a doze anos, e o miúdo escorregou, depois de uma onda mais forte bater-lhe nas pernas, e caiu de costas, magoando-se… ao mesmo tempo que uma menina, tão ou mais nova que o rapaz, era enrolada por essa onda. Um outro amigo que estava comigo, que já foi nadador-salvador durante mais de 20 anos, chamou a atenção dos elementos da SANAS para a situação dizendo-lhes que já era tempo de terem uma atitude preventiva e também mais interventiva, ou seja, já era tempo de fazerem alguma coisa para evitar males maiores. O rapaz olhou para o meu colega e limitou-se a apontar para a bandeira… E esta, hein??? Afinal que estão eles ali a fazer? Qual a função dos nadadores-salvadores… pôr bandeiras no mastro? Para isso, basta o dono da barraquinha da praia, que de certeza percebe mais de mar que aqueles dois… Se era para deixar os utentes irem à água porque achava que as condições de mar o permitiam, ponha a bandeira amarela… não a vermelha!!! Talvez esteja errado, mas creio que os nadadores-salvadores têm poder para encerrar o acesso ao mar em caso de bandeira vermelha… ou não?!?! Se assim for e os utentes não acatarem essa proibição, sempre pode solicitar a presença da Polícia Marítima a fim de serem cumpridas essas limitações. Não é por qualquer antipatia para com o rapaz ou para com a rapariga, mas poderiam ter ocorrido situações bem graves naquela praia perante a impavidez (ou inoperância) daqueles dois…