Paulo Ferreira Porto da Cruz, Praia da Alagoa, excelente areal e mar convidativo a banhos. O verão, este ano, tem sido extremamente generoso para todos aqueles que pretendem desfrutar de um dia bem passado na praia. Acontece que, para os banhistas que a costumam frequentar, aquilo que poderia ser um dia bem aprazível, pode, de um momento para outro, tornar-se num autêntico pesadelo. Neste ano, a quantidade de surfistas a frequentar a praia é bastante notória. Por várias razões, são muito bem vindos e até a própria freguesia agradece. Têm, também eles, todo o direito de dispor da praia, a seu bel prazer, desde que esse direito não retire, aos restantes utilizadores da praia, os direitos que a estes também são devidos. Em horas e dias de maior afluência de surfistas, é, para o banhista, um autêntico risco entrar na água. E a verdade é que vários deles têm sentido na pele, ou, se quisermos, na cabeça, os efeitos desse risco. Incidentes e acidentes estão a tornar-se demasiadamente comuns. Preocupante sem dúvida dado que alguns deles até já necessitaram mesmo de assistência médica. E, quando algum banhista se insurge contra esse perigo, o mais provável é ouvir de alguns a quem a educação e o respeito pelos outros nada lhes diz, a resposta saloia “A praia é pública!”. Comentários para quê? O que é que se pode dizer a uma pessoa que profere um dislate destes? Esta crispação que começa a gerar-se entre ambas as partes em que é que se poderá tornar quando, um dia, os ânimos se exaltarem demasiado? Precisaremos de chegar a tal ponto? A praia é relativamente pequena mas, se houver razoabilidade, há-de haver espaço para todos. Será que, nem que seja por uma só vez, nos poderemos entender nesta terra? Ou será necessária a intervenção disciplinadora da autoridade marítima para ditar as regras? Bom senso, precisa-se!