Leitora devidamente identificada Hoje, os enfermeiros recém-formados por um lado encontram-se felizes por terem alcançado os objetivos a que se propuseram, com a finalização do curso e a iniciação da carreira profissional, no entanto, estes mesmos enfermeiros recém-formados encontram-se simultaneamente infelizes ao saberem que o futuro que os espera é obscuro e incerto. Seria muito mais fácil se as instituições privadas optassem por contratar estes enfermeiros recém-formados com vontade de trabalhar e com conhecimentos atualizados, em vez de enfermeiros que já têm trabalho a tempo inteiro, que se encontram a acumular funções em dois e por vezes em mais empregos. Esta contratação inclui os enfermeiros reformados que se encontram com a vida organizada e, por vezes, com problemas de saúde, os quais até se refletem nos cuidados prestados aos utentes, para além de estes enfermeiros não estarem a ser solidários com os colegas recém-formados, pretendendo assim a aquisição de mais um emprego, apenas com o intuito de acumular riqueza e não por necessidade. Não é justo que esta situação aconteça na nossa sociedade atual e os nossos governantes nada ou pouco fazem para promover a equidade entre os profissionais de forma que todos possam ter pelo menos um emprego. Hoje, olhamos para esta classe de profissionais e uns têm tudo e outros nada têm, sobrevivem com a boa vontade de familiares e amigos. Muitas vezes têm dividas adquiridas ao longo da sua formação e não têm como pagá-las, estando desesperados e na incerteza. Quero apelar aos enfermeiros reformados e aos que têm o seu lugar assegurado em mais do que um emprego que sejam solidários nestes tempos difíceis que estamos a atravessar, ajudando os colegas recém-formados, sendo que essa mesma ajuda começa por se libertarem de duplos e triplos empregos. Deixemo-nos de egoísmos, é tempo de olhar para o lado e dar a mão a quem precisa.