O propósito! O propósito do Universo? O meu? O do teatro, aqui nesta ilha? Sempre encontrei propósito para os meus atos, fossem eles quais fossem, direta ou indiretamente faziam parte do propósito que é a vida e que cada vez mais se definia em redor da atividade artística que eu começava a desenvolver, mais afincadamente, a partir dos 18 anos. Recordo-me que a grande aposta que fiz comigo foi nos textos de Cervantes, Lope de Rueda e outros que faziam parte dum espetáculo de Farsas e ganhei. Ou será que não!? Não importa para o caso. O certo é que a partir daí começou um trabalho constante e vigoroso como ator até Ruzante para que depois se derramasse em um outro trabalho, ao qual me dediquei com afinco, mas que já não fazia parte do meu propósito; o meu propósito de ator. O porquê de falar do meu propósito tem a ver com o grande universo de jovens e que cada vez mais se aventuram na arte do teatro, seguindo sem pestanejar o seu propósito, aquele para o qual acreditam que foram talhados. Arriscar-se-á dizer que esse assumir reveste-se de insensatez!? A mesma insensatez que faz outros jovens serem compelidos a escolher áreas profissionais, ditas sensatas, para a construção de uma sociedade mas para as quais, hoje, não encontram absolutamente nenhuma saída, senão no desemprego? Ou será que tem mais a ver com a grandiosidade que transforma o Homem na sua verdadeira dimensão como indivíduo nos dias de hoje, decidindo o seu propósito, mesmo que num futuro sujeite-se a ficar no desemprego!? Ela por ela, então, neste momento, siga-se o propósito idealizado. O futuro, esse, será o juiz de cada uma das nossas opções e do que nós delas fizermos. Falando no propósito de uma escolha como o teatro, que é especificamente do que quero falar, a verdade é que apesar de todas as crises que se instalaram desde sempre, ele continua vivo em todas as suas componentes e ramificações! Para ser ator, a sério, profissionalmente, é preciso assumir o propósito, com a coragem correspondente, caso contrário é urgente mudar radicalmente de direção e assumir o devido propósito.
Eduardo Luíz