Marcos Freitas, durante vários dias, dentro do seu trio Olímpico, fez-nos concentrar numa área de jogo, de escala mínima, mas cheia de tudo o que é velocidade, precisão, detalhe e segundos que parecem partículas de luz a andar. Aquele minipalco, com uma rede como cenário, leva com uma bola que parece cristal resistente a todos os golpes e disposta a todos os efeitos dum saber que se pratica - faz - durante muitos anos. O meu olhar ignorante ficou vidrado no talento e técnicas invisíveis daquela cena. É que nem fazendo pausa na box. A força dos dentes de crocodilo e a delicadeza com transportam as crias na boca é igual a este jogo e a tudo o que Marcos nos transmitiu. Uma inspiração que não vem de hoje. É para um dia perfeito, é para ver se me mexo amanhã. Olímpico como a actriz Carla Galvão no espectáculo Cabo Verde do Teatro Meridional. Por alguma razão foi celebrada a criação do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido na Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos. Creio que por orgulho. Garantia que as nossas dores nunca serão um campo incurável. Qualquer dia outcorciza-se todos os Marcos do nosso país. O infortúnio, de então, não será coberto por nenhum seguro. Que ninguém se lembre de taxar os pontos que a sua equipa marcou; é que a Ach Brito, já paga uma taxa de 1% sobre todos os sabonetes que vende ao infarmed... dizem os entendidos: lavar-se é cosmética! Os transístores serão substituídos por átomos, mas nada poderá substituir e perfeição dos ombros de Marcos, para não falar epopeia de João Rodrigues e tantos outros. Os rajões já tocam, Sílvio Mendes, afasta a rede e anima a hoste com o seu saber e graça: começou o arraial! É a vossa deixa. Saltem para os nossos ombros campeões.
Élvio Camacho - Actor