Ficou célebre a imoralidade de Alberto João Jardim quando o povo timorense mais precisava de ajuda. Anunciou, provocando-nos engulhos, que não dava "nem um tostão para Timor". Agora que a desgraça nos bateu à porta (com as cheias, os incêndios e a seca), o governo de Alberto João pratica sobre nós essa mesma imoralidade e não quer devolver nem um tostão à Madeira. O dinheiro dos nossos impostos há muito foi apropriado pela seita que nos governa e o da solidariedade vai agora no mesmo caminho. A campanha da RTP "Juntos pela Madeira" teve por objetivo devolver a casa a quem a perdeu no temporal de 20 de fevereiro. As 12 casas construídas na Serra de Água com essa verba foram apropriadas pelo governo regional e as vítimas da catástrofe são obrigadas a pagar renda. A RTP-Madeira dinamiza, e muito bem, uma nova campanha para ajudar as vítimas dos recentes incêndios. Será que o governo regional irá apropriar-se, novamente, dessa ajuda? Para começar, está a embolsar 22% com o IVA. Depois, como a ajuda angariada será entregue à Cruz Vermelha, é muito provável que, novamente, o dinheiro vá parar às mãos do governo e estes desalojados passem de proprietários a arrendatários. O dinheiro da Lei de Meios, da solidariedade nacional, também vai pelo mesmo caminho. Há ainda pessoas por realojar e estradas e muros que ainda não foram recuperados mas o governo regional reservou 18 milhões de euros desse dinheiro para fazer um cais para cruzeiros e já enterrou mais uns milhões na marina do Lugar de Baixo. Enquanto os madeirenses não baterem o pé continuarão dependentes das migalhas da solidariedade abocanhada por um governo que já não se contenta em desbaratar os nossos impostos.

Hélder Spínola - Deputado do PND