Paulo Gomes Tenho em consideração todo o esforço dos populares no combate aos incêndios do mês passado, assim como tudo o que fizeram os bombeiros. Também tenho em consideração os proprietários que evitaram males maiores por terem limpo os terrenos e assim evitaram prejuízos mais acentuados. E tomara que tivéssemos mais "Blandys" por esta terra, porque se não fossem os ingleses poucas quintas teríamos, o nosso vinho e o bordado não seria conhecido por esse mundo fora. Não foram eles que nos levaram ao buraco económico, foi quem nos governou nos últimos trinta e tal anos e quem, há dois anos, não aprendeu a lidar com os incêndios, não tendo feito nada de forma a evitar que se repetissem. Acredito que os donos da quinta do palheiro sejam ricos, mas nada de mal tem ser rico quando o trabalho, o engenho ou a sorte proporcionaram essa riqueza, o pior são os ricos que lá chegaram de forma ilícita e a custo do povo. Sinceramente, atacaria eu a propriedade "Blandy" através do seu matutino?! O campo de golfe e a quinta são infraestruturas turísticas. As casas do condomínio fechado foram pagas pelos seus proprietários, são as tais "coisinhas" de ricos. E nada tem a ver com os colaboradores ou funcionários da quinta, são trabalhadores como eu ou outro qualquer. Sei que os colaboradores da Quinta e os moradores de todo o palheiro ferreiro tudo fizeram para que não ardesse mais do que ardeu, penso eu até que foi um verdadeiro milagre não terem ardido casas quando o fogo cercou por completo algumas delas. Mas não me diga que fizeram esse combate sem bombeiros, mais cedo ou mais tarde eles chegaram, como a carta da leitora refere ("quase sempre sem bombeiros", o quase exclui a totalidade). Eu vi várias viaturas e dezenas de bombeiros subirem para a urbanização, houve evacuações que não foram decididas pelos moradores, alguém teria que lá estar para as ordenar. E quando posteriormente passei por toda a urbanização até ao campo de golfe, realmente foi incrível ver gente no campo a jogar e gente que tomava o seu chá, calmamente, no verdinho que resta da Quinta, depois do inferno do incêndio. Foi um bom trabalho e quase nada parou mesmo depois da tragédia. O que não invalida achar estranho encontrar as viaturas da polícia (as da segurança pertencem ao condomínio) e os seguros já bastante atarefados. Porque o incêndio não começou nas ruas da urbanização, logo a polícia não estaria a fazer nada ali. E porque também eu tive um sinistro na minha moradia e só passado muitos (!) dias é que a seguradora apareceu e, passados alguns meses, ainda não está concluído. Cara senhora, os gauleses combateram o fogo e viram arder dezenas de casas e carros. A logística que assistiu o palheiro ferreiro não esteve em Gaula. Isto são factos. Nem aí mesmo ao lado, no lombo da quinta. Nem tiveram um sócio apenas na defesa do "clube". E pagam mais do que 6% de IVA. Por último e para esclarecer qualquer inferência menos correcta e, essa sim, maldosa, lamentando que pense dessa forma: eu não invejo ninguém, tenho o suficiente, mas não deixo de jogar no euromilhões. O milhão do vizinho não me faz comichão e fiquei muito triste com o que ardeu, casas, carros, floresta, plantações. E não tenha dúvidas que a defesa da quinta do palheiro ou de outra qualquer propriedade se faria na proporcionalidade da riqueza dos seus proprietários, quando em situações comparáveis. Ou estará a pensar que foram lá para defender os postos de trabalho dos colaboradores da quinta? Indiretamente, isso sim. Tem dúvidas de que o dinheiro compra quase tudo, até na saúde? Nunca viu a multa no Fiat e o polícia à procura do dono do BMW? Não é mentalidade. É um facto do qual se conhecem raras excepções.