Com muita frequência passamos a ser informados sobre a evolução das exportações portuguesas, tidas como um indicador da recuperação económica do país. A razão dessa rotina prende-se com a importância do contributo da balança comercial nacional para o equilíbrio das contas públicas. Muito resumidamente, quanto mais exportarmos, mais recebemos do exterior e, assim, contrabalançamos com aquilo que pagamos pelas importações. Conhecendo a realidade portuguesa, facilmente aferimos que importar é uma inevitabilidade e que procurar aquele equilíbrio implica um grande esforço. Recentemente ficamos a saber que o Banco de Portugal prevê, ainda em 2012, que a nossa Balança Comercial de bens e serviços seja excedentária. A verificar-se, será a primeira vez desde 1943, ou seja, em 69 anos. Um saldo positivo na balança comercial significa que as exportações registam maior valor que as importações. Para a boa notícia atrás referida, contribuiu um aumento das exportações acompanhado de uma diminuição das importações. Se a diminuição das importações resultasse da sua substituição pela produção nacional, então estaríamos num caminho glorioso, motivo de grande regozijo, com uma economia florescente, competitiva, ativa e geradora de emprego. Estaríamos num processo sustentado de crescimento, a revelar dinamismo e a olhar para um futuro promissor. Mas, na realidade, o saldo positivo ficar-se-á a dever à diminuição das importações por via da redução do consumo e do investimento em Portugal. Um saldo positivo de uma balança comercial cujas importações diminuem por via da redução do rendimento disponível e do consumo das famílias, da incapacidade de investimento do Estado, das empresas e das famílias, do crescente desemprego e do encolhimento da atividade económica, serve para cumprir um requisito imposto externamente mas não serve para salvar Portugal. É preciso, como tantas e tantas vezes se tem referido, cumprir o programa de austeridade mas fortalecer, simultaneamente, o país. Portugal não terá futuro atendendo, apenas, aos critérios da contenção sem que se prepare com uma nova visão, fortalecendo o tecido empresarial e as famílias que tudo têm suportado. É tempo de perceber que equilibrar a balança comercial por via da degradação do país é estar na mesma realidade que regista uma drástica diminuição das receitas fiscais na sequência de um violento agravamento dessa carga junto dos contribuintes. Quem tudo dá, a mais não é obrigado...

Eduardo Jesus, Economista