Longe vai o tempo em que a grande maioria dos turistas faziam férias só pelo sol, o mar e quase exclusivamente para descansar. Tornaram-se mais exigentes, têm outros "quereres". Ao desembarcar no aeroporto, o nosso visitante, ao percorrer aqueles enormes espaços vazios que o levam ao tapete da recolha das bagagens depara-se, em ecrãs gigantes, com uma pequena exposição sobre a história da Madeira. Quem somos, como aqui chegámos, para onde vamos… Na viagem até à unidade hoteleira o agente encarregado do transfer explicaria o que é esta coisa da autonomia. Porque é que a temos, o que faz de nós um povo com particularidades próprias. Chegados ao hotel e enquanto espera para fazer o check in um dueto de braguinha e rajão toca peças de Cândido Drumond Vasconcelos. No quarto, na televisão, um canal de corporate TV com programação exclusiva, passa documentários e programas sobre a ilha enquanto num canal interno de rádio se ouvem os projectos musicais regionais nos mais diferentes estilos. Numa primeira visita a esta "casa provisória" é possível encontrar na esplanada junto à piscina alguns hospedes a amassar pão supervisionados por um "chefe" que explica as diferentes etapas da confecção. No bar, dois jovens tocam peças clássicas ao violino e piano enquanto numa sala decorre uma palestra sobre poesia madeirense. No dia seguinte e armados de um iPod alugado na recepção do hotel é "marchar" para o centro da cidade. Este pequeno aparelho funciona como um guia pessoal e personalizável possibilitando descobrir a cidade por intermédio de diferentes percursos. Um cartaz anuncia um espectáculo. Num dos diferentes "quiosques" electrónicos espalhados pela cidade é possível comprar o bilhete e retirar informação precisa sobre como chegar ao local do evento. Passear sem destino é também uma forte possibilidade. Aqui e ali artistas espalhados pela cidade expõem os seus trabalhos: música, arte, performance, etc. Conhecer a ilha pode ser feito de várias maneiras: das tradicionais "excursões" ao carro alugado, dos passeios a pé ao autocarro usado pelos locais. A informação dos percursos está sempre presente e é acessível. Nas refeições dos hotéis e restaurantes predominam a cozinha regional (que não são só o bife de atum, a espetada e a espada com banana) confeccionados com produtos locais. Ao lado do nome do prato uma sucinta e clara memória descritiva ajuda na selecção. Exposições, concertos, bailado, teatro, etc., não são feitos a pensar exclusivamente nos que nos visitam mas também em todos nós que cá vivemos. A interacção entre o turista e o madeirense tem que ser efectiva pois potenciadora de um futuro regresso. A arte de bem receber passa pela dignidade e pela dignificação desta relação. Beber um copo antes de recolher ao quarto no bar do hotel ao som de um quarteto de jazz ajuda a terminar um dia em cheio… porque amanhã à mais! Ps: … e muito mais se poderia escrever mas o espaço da escrita é condicionado!
Nuno Morna, Actor