Para além das "politiquices" costumeiras, as últimas semanas foram bastante absorvidas, a nível nacional, no exame dos gastos públicos e dos apoios do Estado às "fundações" que proliferaram e a que o Governo, finalmente, parece disposto a acabar com muitas delas, por se não reconhecer a utilidade pública que reclamam, mas da qual muitos dela aproveitam, o que é preocupante. A nível regional, para além das tretas políticas, a entrevista concedida, há uma semana, ao Diário, pela actual Presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, veio alertar para a situação dramática que com sentido da realidade já antecipa - o aproximar do fim do verão, esse "balão de oxigénio" que não resolve o dramatismo da sazonalidade da ilha, para que tantas vezes foram lançados alertas, que continuaram a ser ignorados pelos responsáveis. Relativamente a Porto Santo, sem recuar a 2002, quando se projectava a criação de um destino de golfe, uma panaceia que se desfez, mais recentemente, há menos de 2 anos, quando neste mesmo espaço, a propósito de declarações do então Secretário de Estado do Turismo do Governo da República, sobre a ilegitimidade de promover a venda de Porto Santo como um destino de 'sol e praia - 'gato por lebre', como destacava o Diário - já se chamava a atenção para a necessidade de reflectir-se sobre determinados aspectos, interligados que estão entre si, alargando a reflexão a outras áreas. Já então vinha a propósito, ponderar sobre as reais potencialidades do Porto Santo, onde destacadamente cabe a sua praia magnífica com as suas areias, cujas características e qualidades terapêuticas, continuam por explorar, no sentido nobre da palavra. Mas outros mais merecem não ser menosprezados, todos eles podendo ter um peso relativo, de que importa tirar partido, como a vela, o hipismo, o ténis e, naturalmente o golfe, sem que possa pensar-se que qualquer desses 'atributos', isoladamente, possa fazer de Porto Santo um 'destino'. Ao escrever-se sobre o Porto Santo, não pode ignorar-se a SDPS, como em outras ocasiões abordei e de que continua a não existir informação completa sobre a rentabilidade dos projectos em geral e da exploração do golfe, em particular, é uma situação que sendo diferente da situação ora em discussão a nível nacional, sobre as fundações, logo vem à mente, importando questionar, por exemplo, quanto ao passivo, como também já levantei em notas publicadas no Diário (24.01.2006 e 5.10.2010). Faz sentido, como tal mais bem ponderar igualmente sobre a sua continuidade, a exemplo das demais sociedades de desenvolvimento da RAM, bem como das empresas municipais e das fundações a que acima fiz menção, sobre muitas das quais, a nível nacional, se pondera a sua extinção, tema que tenciono a seu tempo, aprofundar.

Francisco Leite Monteiro