Entramos já na reta final destes Jogos Olímpicos e quanto à representação portuguesa no atletismo, a mesma tem-se pautado por prestações medianas com poucos atletas a se transcenderem. Já aqui se escreveu e enalteceu as participantes na maratona feminina e o marchador masculino, sendo pertinente também referir pela positiva as provas de Clarisse Cruz nos obstáculos e Vera Barbosa com novo recorde nacional nos 400mts barreiras. Sem as principais figuras (Nélson Évora - que seria 2º com a marca de Pequim08 no triplo salto, Naide Gomes, Francis Obikuelu e Rui Silva, todos ausentes por lesão) muito dificilmente poderíamos aspirar a lugares de pódio e achamos que a maior parte dos atletas nacionais presentes desgastou-se imenso ao longo da época em busca dos mínimos, chegando a Londres em condições que não as ideais, ressentindo-se a nível de marcas. Que fique claro, que para lá estarem todos tiveram de obter mínimos, portanto são presenças com mérito. No geral e quanto a medalhados, saliência indiscutível para o melhor velocista de sempre Usain Bolt que já entrou para a história ao ser duplo vencedor nos 100 e 200mts em duas edições de Jogos Olímpicos. E que dizer da prova de 100mts masculinos, onde os primeiros 7 atletas baixaram dos 10 segundos com muitos a baterem os seus recordes pessoais, com marcas de altíssimo nível que não têm sido mais valorizados devido ao fenómeno Bolt. Grande Jamaica nos 200mts masculinos com o pleno do pódio. Já em femininos nesta prova, excelente prestação coroada com o ouro para Alisson Félix dos Estados Unidos. Recorde olímpico para Sally Pearson da Austrália nos 100mts barreiras, única a se intrometer nas vitórias da Jamaica e Estados Unidos da América nas provas de velocidade. Espetáculo extra oferecido pelo alemão Robert Harting durante e após o lançamento do disco, levando o ouro e deixando para o "míssil" iraniano a prata. Folgada vitória de Ashton Eaton, o norte-americano superatleta vencedor do decatlo. Surpresa nos 400mts onde também se fez história já que pela primeira vez não houve nenhum atleta dos EUA nos oito finalistas, sendo de realçar o ouro obtido de forma brilhante pelo jovem de Grenada Kirani James. No entanto, talvez o mais importante resultado tenha sido o conquistado pelo queniano David Rudisha, com novo recorde mundial nos 800mts secundado por dois ainda juniores também africanos. Finalmente, uma palavra de parabéns a toda a família da canoagem portuguesa pela medalha de prata conquistada e pelos excelentes resultados que os seus atletas têm conseguido.

Egídio Olim, Vice-presidente da AARAM