João Vieira Ontem ao ver na vossa edição online que o Sr. Representante da República solicitou a intervenção do Tribunal Constitucional, tendo em vista a apreciação preventiva da constitucionalidade de algumas normas do Decreto Legislativo Regional que "aprova normas para a protecção dos cidadãos e medidas para a redução da oferta de 'drogas legais'". Como pai e cidadão, não pondo naturalmente em causa o comportamento do Sr. Representante da República, o qual está no seu direito de exercer as suas competências da melhor forma possível, respeito mas custa-me a aceitar. custa-me a aceitar que vivo num país em que tem uma lei reguladora de drogas inócua, obsoleta e ineficaz. custa-me a aceitar que vamos continuar a assistir à ida diária de pessoas com alucinações e delírios, colocando a sua saúde em risco, algumas das quais ficam com danos físicos e mentais irreparáveis. Custa-me a aceitar que devido às burocracias, à inércia da Assembleia da República em alterar o quadro legislativo regulador das drogas. Custa-me a aceitar que apesar de todos indícios que estas drogas têm causado nos nossos concidadãos jovens e adultos e suas famílias, vão continuar a ser vendidos como se de algo inofensivo se tratasse. Custa-me a aceitar que o meu país não protege a saúde dos seus cidadãos. Custa-me a aceitar que as nossas entidades policiais e judiciais estejam de mãos atadas. Custa-me a aceitar que existe pessoas que estão a enriquecer à custa da desgraça dos outros. Que país é este que deixa simplesmente que se venda sem qualquer restrições produtos cuja acção destina-se exclusivamente para produzir efeitos psicoactivos. Custa-me a aceitar a passividade da Assembleia da República. Custa-me a aceitar que morrem pessoas vítimas destas drogas na nossa região. o que é necessário fazer ou acontecer mais para tomarem medidas para acabar com estas situações graves. Não sou jurista e, por isso CUSTA-ME ACEITAR QUE AS LEIS DO MEU PAÍS preocupam-se mais em ligar aos acessórios e não ao fundamental. Será que há algo mais sagrado que a vida humana? CUSTA-ME ACEITAR, ENQUANTO PAI, que as leis reguladoras do meu país permita que o meu filho e todos os jovens menores possam comprar sem qualquer impedimento produtos cuja acção é perigosa para a saúde e para a sua vida, como se de algo bom e inofensivo se tratasse. Custa-me aceitar que mesmo após situações de morte, quem venda saia impune como se tratasse de uma simples transação comercial. Custa-me a aceitar que involuntariamente as nossas entidades responsáveis estão a cultivar um clima de impunidade e de aceitação total da comercialização destes produtos. sendo apartidário quero agradecer ao grupo parlamentar do PSD Madeira que tentou dentro das suas possibilidades, produzir legislação para regularizar e, por conseguinte, combater este fenómeno, o qual tem, gradualmente, ganho proporções inimagináveis. Por favor Srs. do grupo parlamentar não desistam, persistam dentro das vossas competências legais, para que comece a acreditar que na NOSSA REGIÃO exista um sistema legislativo que combate esta praga a qual está a enriquecer uns poucos em detrimento da desgraça de muitos.