A Escolha é um momento crucial, convém caracterizar as suas condicionantes emocionais. Consideremos quatro tipo de emoções que quando predominantes caracterizam as vivências e as escolhas das pessoas e como estas encaram a mudança. Quando a emoção predominante é a aversão, ódio na sua forma grosseira, a pessoa dificilmente estará bem seja em que circunstância for. A aparente origem desta emoção pode ser o sofrimento diário físico e psicológico que o trabalho ou familiares lhe infligem e assim facilmente transfere a culpa para o patrão, o governo, ou para esta ou aquela pessoa. Há neste caso uma vontade impulsiva para mudar. Quando a emoção predominante é a ignorância, a pessoa não tem a noção da sua condição e portanto dificilmente se considera infeliz nem sente qualquer real necessidade de mudar. A sua atitude pode efectivamente prejudicar os que a rodeiam, mas isso não a incomoda, o seu interesse está em satisfazer-se a si, e geralmente isso acontece de forma frívola. A pessoa sofre subtilmente as circunstâncias da sua condição no desperdício do seu tempo e potencial. Quando a emoção predominante é a inveja, a pessoa não tem a capacidade de se satisfazer com o que tem, e havendo quem passe melhor do que ela não há descanso nem paz de espírito. O confronto e a competição são o seu modo de estar natural, caracterizado por uma tensão constante. Por fim quando a emoção predominante é o orgulho, a pessoa menospreza todos e não reconhece qualquer urgência na resolução de problemas alheios. Na ilusão de superioridade e abundância sem fim, não sente qualquer necessidade de mudança. Seja qual for o caso, por força de qualquer uma destas emoções avassaladoras o indivíduo não tem o discernimento necessário para fazer a melhor escolha para si e muito menos para os outros. Todas estas emoções são um sério entrave a uma mudança reflectida e equilibrada para o actual momento de crise da nossa sociedade. Em democracia podíamos desejar que as escolhas fossem feitas num estado de perfeito esclarecimento, ou envolvendo emoções que fossem outras que não as mencionadas. Infelizmente isso não acontece e lamentavelmente sucede o contrário. Há quem use as emoções, quem efectivamente explore as emoções a fim de por este meio manipular as pessoas. A plena democracia só pode surgir de uma maturação emocional. Assim se ultrapassará a crise... de valores.
Rui Almeida, Presidente do PAN-M