A Madeira e o Porto Santo viram consagradas em 1976, a autonomia do seu arquipélago decorrente da entrada em vigor da nova Constituição que alterou profundamente a relação política administrativa entre as regiões insulares e a continental do território português. Constituiu para nós, um feito histórico depois de muitas lutas travadas pelos nossos antepassados contra o poder central. Já lá vão 36 anos de luta permanente pois a autonomia não é e nunca será um processo definitivo. A sua afirmação faz-se no decorrer no tempo com tenacidade, astúcia, maturidade e convicção, adaptada às novas realidades e às transformações que as sociedades contemporâneas estão sujeitas num mundo tão globalizante. Apesar dos avanços alcançados com as sucessivas revisões constitucionais constata-se, no entanto, que ainda estamos aquém do desejável pois continuamos dependentes de interpretações duvidosas dos poderes que nos estão consagrados perante as amarras que a Constituição nos impõe, impedindo-nos seguir o nosso caminho. A nossa autonomia é vista com desconfiança e querem que a nossa Região seja um modelo de Lisboa e não aquele que efectivamente corresponde aos nossos interesses e maneira de ser. A actual conjuntura económica e financeira que vive o país, veio acentuar ainda mais essa desconfiança pondo em causa a nossa autonomia perante o programa de ajustamento financeiro que a Região está sujeito. Perante este quadro é importante que centremos a nossa atenção em coisas essenciais que promovam a defesa da nossa autonomia sem entrar em devaneios ou pretensões que não foram minimamente exploradas e testadas, de forma a podermos trilhar o nosso próprio caminho com respeito pela identidade do país a que pertencemos. 36 anos é uma idade adulta e é altura de acabar com suspeições de qualquer natureza. Foi com autonomia que a Região se desenvolveu e que permitiu ser o que é hoje. Não precisamos de lições de democracia de ninguém pois a Madeira e o Porto Santo foram durante muitos anos votados ao esquecimento que afectaram muito a vida dos nossos antepassados. Aqueles que sofreram no passado por nós e os que vivem agora, merecem que honremos a nossa Região. Lutemos por ela.

José Manuel Oliveira