A educação artística é, sem dúvida, um forte instrumento para a formação holística das nossas crianças e jovens. As implicações motivacionais que dela advêm para a aquisição de novos saberes, das mais diversas áreas (Santos, 2008), são uma realidade. E sabemos que quando há motivação, o empenho na superação das dificuldades é bem visível. Ouve-se com frequência que as artes ajudam no desenvolvimento da linguagem, do raciocínio, do cálculo mental, na memorização, na concentração e noutras capacidades sociais e pessoais. De facto, as artes são um meio excecional para a inovação e criatividade, concorrendo ainda para o desenvolvimento de competências de trabalho em grupo, basilar para o desenvolvimento da capacidade de resposta a problemas e situações incertas. Deste modo, a angariação de competências artísticas promovem a oportunidade dos alunos se apresentarem publicamente, quer em grupo quer a solo, que para além da motivação, serve igualmente outros propósitos não menos importantes, nomeadamente: divulgar as artes junto da comunidade escolar, interagindo com ela; promover a escola e os seus valores artísticos. Digamos que a experiência artística pode constituir para os alunos uma prática singular, com repercussões inimagináveis. João dos Santos (2008) refere que a articulação entre a escola e as artes, torna-se essencial para o bem-estar e o equilíbrio dos alunos permitindo que se integrem no meio escolar tendo, deste modo, um maior empenho nos seus estudos. No seu entendimento, a educação deve ser “…o resultado da implicação do sujeito na transformação de Si e na sua ação no Mundo, assim, torna-se necessário que esta possibilite uma pluralidade de saberes e uma integração de linguagens diferenciadas para um mais fácil acesso à multiplicidade de informação e à sua leitura crítica, rompendo com a visão de Educação baseada em formas hegemónicas de comunicação, confinadas na excelência de saberes considerados socialmente úteis e eleitos como únicos e relevantes”. Assim, as artes devem ser consideradas como caminho a (re)olhar, numa perspetiva de conhecimento do mundo, compreendendo e refletindo sobre os fenómenos sociais e culturais que emergem dentro e fora da escola, estimulando a construção de identidades e consequentes transformações sociais. Educar pelas artes e para a arte, deve ajudar-nos a estimular o inconformismo e o desejo de esbater paradigmas, criando cidadãos mais criativos, mais críticos e, quiçá, mais interventivos. Fazemos votos para que as artes na educação continuem a ser uma forte aposta desta Região Autónoma, diferenciando-se, pela positiva, do todo nacional.
Carlos Gonçalves - Docente do Ensino Superior