Talvez esta seja a maneira de me revoltar perante os parcos caracteres que me dão mas, uma vez mais, vou fugir ao propósito destes artigos, que deviam versar sobre Turismo mas que resvalam de quando em vez para outras matérias. Tenho um pedido de colocação de umas placas de sinalização feito há oito meses à entidade encarregue da aprovação (ou não) dessas questões que, por uma qualquer razão não entendível, apesar dos vários telefonemas e visitas para saber o resultado da decisão, ainda não teve tempo para formar opinião sobre esta que até parece ser uma delicada matéria. A todos a quem conto isto dizem-me de imediato: - porque não falas com fulano? Já telefonaste a sicrano? Ele despacha-te isso num instante! Com toda a franqueza, não posso tolerar este tipo de prática generalizada e recuso-me a contribuir para a vergonha que é a aceitação tácita do pequeno tráfico de influências, que serve para as igualmente pequenas mas também para as grandes coisas do nosso dia-a-dia. Um cidadão comum, que faz um pedido simples e básico, não pode esperar resposta célere e fundamentada de quem tem por função exactamente responder a esses pedidos? Somos obrigados a conhecer alguém que obrigue o outro alguém a fazer o trabalho para o qual é pago? Isto está tão enraizado na nossa cultura que hoje ninguém sequer pensa que esta prática está errada. E serve para tudo: - Queremos emprego? Escrevemos à Junta de Freguesia. Precisamos de um projecto aprovado? Fala-se com alguém na Câmara. Temos necessidade de um papel da Segurança Social? Telefonamos à nossa amiga que lá trabalha. As Finanças querem uma informação complementar? Resolve-se isso com o fiscal. Esquecemo-nos, todos, que pagamos impostos exactamente para que todas estas pessoas respondam com normalidade, em tempo útil e de forma adequada, a todas as questões e pedidos que entendermos formular. Mas parece que é mais fácil e até dá estatuto fazer isto de outra maneira… Quem pode, claro!

André Barreto - Empresário