Há três madeirenses na selecção dos '100 mais influentes' em Portugal no primeiro semestre de 2012. Era este o 'lead' da notícia e não, não falava de quem nos desgoverna, dos que por estes dias influenciam o que somos e o que gostaríamos de ser. Não falava dos poderes concretos, imaginados ou desejados. É de outra ordem esta influência, são de outra estatura estes homens.
É verdade que respiram o mesmo ar, que caminham lado a lado com os outros, são da mesma matéria que os demais, mas mais altos. Olhos, coração, força e uma alma que transgride no sentido certo.
Paulo David, Tolentino Mendonça e Cristiano Ronaldo constituem a estrutura que nos alicerça a uma casa-corpo, a um espaço-casa, a uma palavra-abrigo. São homens que nos dão pertença, sentido, rumo, certezas que não temos, ou que temos tão próximas que desfocam e quase não as percebemos na pele, nos olhos e naquele lugar da alma onde nascem as ideias, o sorriso e o deslumbramento.
São diferentes estes homens, mas alimentados por essa força que os torna maiores.
Porque é maior aquela velocidade com que Ronaldo corre para a baliza, a bola nos pés como se fizesse parte do corpo desde sempre. Este miúdo corre contra os adversários, todos os adversários: os que estão dentro de campo e a própria vida que fintou, driblou e transformou. Há uma luta constante no peito deste rapaz, como se fosse preciso uma força desumana para manter a terra no centro do mundo.
É da mesma força que partem os traços, linhas e horizontes de Paulo David, é da mesma grandeza a forma como tenta exercer na paisagem uma força que não a derrube, mas que a integre no silêncio. Este arquitecto sabe compreender que é fácil perturbar as pedras, é simples derrubar o mar, é quase demasiado simples matar as nuvens. É preciso muita força para não acordar a paisagem, são precisos muitos traços, linhas, curvas e rectas para não perturbar os lugares e a sua sabedoria.
Afinal, como escreve Tolentino Mendonça, "as casas percebem antes de nós que nos tornamos felizes". E esta verdade precisa de uma força certa das palavras para que se faça tão simples e tão forte, para que se erga sem perturbar a paisagem e a voz sábia das casas e dos lugares.
"Os astros cruzam-se a uma velocidade que apavora, inamovíveis glaciares por fim se deslocam e na única forma que tem de acompanhar-te o meu coração bate". E é o coração a medida de todas as coisas, em campo, no mundo, nas palavras.
Porque, no fim, sabemos que "é inútil repartir as águas", basta dizer "apenas a altura das searas perto do rio" e se "o vento tornou a encher de folhas o pátio da casa verde".
No fim, e por fim, a verdadeira influência é isto: um coração que sabe bater ao ritmo certo do mundo.