Assentada toda a poeira levantada pelo Campeonato da Europa e pela prestação da selecção nacional, voltamos a ver a realidade bem portuguesa do nosso futebol. Uma realidade bem dura! Aliás, um tanto a exemplo da crise transversal à sociedade portuguesa, advinham-se imensos problemas no seio da maioria das equipas que vai disputar as duas ligas profissionais. Há quem aposte mesmo que esses problemas, nomeadamente ao nível do cumprimento salarial, vão acontecer muito brevemente, muito antes mesmo do supostamente previsto. A recente aprovação da Liga proibindo os empréstimos de jogadores entre clubes da mesma divisão, também não vem ajudar algumas dessas colectividades, estranhamente até algumas que votaram favoravelmente esta disposição em sede da Liga, e que faziam depender os seus orçamentos da política de empréstimos dos ditos grandes. Mas, se aprovaram, está aprovado. Mas, engraçada é a reação, não só de Benfica e FC Porto, essencialmente estes, como da comunicação social ligada a estes clubes, numa choradeira pela evolução do jovem futebolista português. Uma hipocrisia pegada, se pensarmos que os ditos grandes são quem mais têm desprezado o jovem futebolista português, bem patente até na simples circunstância de quase não terem atletas portugueses nas suas equipas. Contudo, reconheço que a medida foi extemporânea e radical, na medida em que as cedências temporárias vigoram em todas as Ligas e entre elas. De facto, o importante era regular o problema, nomeadamente criando uma legislação que impedisse aos clubes grandes deter os direitos económicos sobre mais de 70 jogadores, por exemplo, (nas melhores Ligas há um número limite) impedindo-os de, sobre as fraquezas dos mais pequenos, impor treinadores e jogadores seus e, com isso, colocar eventualmente em causa a verdade desportiva. Empréstimos, sim, mas de um modo regulado e acima de qualquer suspeição. E, já agora, se voltaram a apostar nas equipas B e na II Liga, afinal, quem vai jogar nestas formações secundárias dos ditos grandes do futebol português? Por cá, em que a crise ainda mais aperta, se Marítimo e Nacional já se queixaram da indefinição relativamente às subvenções públicas, por receber e a receber, se tudo parece se encaminhar para uma temporada repleta de dificuldades, as aparências, contudo, parecem querer mostrar o contrário. Pelo menos para um deles, que não pára de apresentar reforços todos os dias. Mas cada um sabe as linhas com que se cose.
Emanuel Rosa - Repórter