A opinião pública tem na Madeira uma imagem muito negativa da Assembleia Legislativa e dos Deputados. Os factos vêm dando razão à opinião formada. O Parlamento madeirense é conhecido na Comunicação Social, em regra, pelas piores razões. Da minha parte sou frontalmente contra os responsáveis pelos incidentes na Assembleia. Contra os insultos, a calúnia pessoal, o desrespeito por parte de alguns. Entendo que os responsáveis por tais incidentes causam um sério dano à democracia representativa e à imagem do Parlamento. Esta situação é particularmente grave no momento de crise por que passa a Madeira. Em momentos de recessão e desemprego, a população precisa de acreditar nas suas instituições. Nada de mais grave do que a descrença total e o desespero. Tal significa, em regra, riscos enormes e grandes perturbações sociais - em tudo contrárias aos interesses de uma Região que vive do turismo. Entendo que neste momento difícil por que passa a Madeira, a Assembleia Legislativa deve assumir um papel central. Papel acrescido pela inércia e incapacidade do Executivo da Região. Entendo mais: se a Assembleia Regional tivesse desempenhado o papel que lhe é institucionalmente atribuído de fiscalização dos actos do Governo e da Administração, a Madeira não teria chegado à situação actual de catástrofe social, financeira e económica. Se a transparência dos actos tivesse sido exigida pela Assembleia, não teria havido dívida oculta. Se os inquéritos parlamentares tivessem funcionado cabalmente não teria havido os desvios ocorridos. Sobre a falta de cultura parlamentar, sobre as ineficiências do nosso Parlamento e sobre as desconsiderações de que é objecto escreverei nos próximos artigos. Para que a democracia representativa cumpra o seu papel na Região Autónoma da Madeira.
Maximiano Martins, Deputado do PS-M