A ajuda externa actual resulta das opções do povo votante e dos políticos. O rumo que temos seguido tem sido decisão de maiorias e responsabilidade de todos. Com a ajuda chegou a imposição de implementação de reformas, incluindo revisões legislativas. Quantas vezes nas últimas décadas procedemos a modestas revisões de normativos e com que resultados? Porque cede quem está mandatado para decidir e agir, temendo a contestação de "poderes instalados" e agentes que defendem os potencialmente menos favorecidos? O que nos foi dito do exterior é que precisamos de alterar as regras pelas quais nos regemos. Precisamos rever o código do trabalho como todas as convenções colectivas em vigor. Temos de adaptá-las aos tempos actuais. Sugiro a análise às descrições de funções. Continua a fazer sentido uma função, num qualquer sector, de "operador de telex e telefax" ? Pois bem, ainda persistem em muitos CCT. E muitas outras, e mais ridículas à luz dos tempos actuais. Há anos, os Domingos e Feriados eram passados em família, num passeio pelas serras ou numa ída "a banhos", sendo expectável um reduzido numero de estabelecimentos aberto (habitualmente apenas os de cariz familiar). Hoje contamos com quase tudo em pelo funcionamento. E não estamos dispostos a pagar mais por isso. Pois bem, faz sentido manter as "onerações" no trabalho prestado aos Domingos e Feriados? Sou defensor que os dias de descanso estão previstos porque qualquer trabalhador precisa de descansar, podendo fazê-lo sem ser ao Domingo (até porque há alguma tendência para ignorar as missões tradicionais de Domingo). Porque se mantêm fortes onerações nos custos produtivos via trabalho prestado ao Domingo e em dia feriado, quando todos pretendemos beneficiar de tudo independentemente do dia da semana em que se nos manifesta a necessidade ou vontade. É tempo de reflectir e mudar pois haverá futuro para além da "troika" e não conheço quem o ambicione com nova intervenção externa. Economista

Rui Miguel Coelho