Os empresários e os advogados percebem mais de futebol do que os próprios treinadores e atletas, como se viu pelas apostas feitas ao longo do 'totoeuropeu' que o DN levou a efeito durante o Euro2012. Talvez por causa dessa coisa tão imprevisível que é o resultado final de um jogo de futebol, quem percebe de riscos e de 'bluffs' se tenha chegado à frente. No negócio e no dirimir argumentos está a vantagem, ao passo que os humoristas e os políticos acertaram muito pouco. Também é verdade que a função dos primeiros é fazer-nos rir e não acertar em qualquer totoloto, enquanto os políticos fazem-nos rir de tanto falhar em coisas que não envolvam uma ciência correta. O que me espantou não foi o resultado desta brincadeira nem a vitória de Espanha. Foi simplesmente terem participado nesta bolsa de apostas alguns rapazes e raparigas do PSD, quando o presidente do partido tinha proibido aos seus súbditos qualquer relação com o DN. Acabou o Euro do futebol e acabou o ano lectivo para muitos jovens desta região. Foi um ano difícil para muitos, a começar pelas faltas que a escola "deu" aos alunos: comida na cantina, papel higiénico e papel "não higiénico", telefones cortados, água fria nas piscinas e duches. Sabemos perfeitamente que há falta de meios, leia-se euros, que o garrote do Sócrates só agora chegou e que isto tudo é culpa dos socialistas, dos comunistas e da maçonaria. Então na Madeira há que atribuir responsabilidades a todos os que, fora da governação, impediram que Jardim e seus pares conseguissem fazer melhor, afinal em lugar de fazerem um buraco na madeira transformaram a Madeira num buraco. Mas há que atribuir também certas culpas à gestão menos rigorosa em algumas escolas, onde não se percebe como há tempo para determinados dirigentes participarem em tudo o que é colóquio, fazer mestrados e defender teses enquanto falta comida na cantina por mau planeamento. No jantar dos famosos, aqueles que aderiram ao "fama" ficaram todos com medo do pacote que o Gervásio se esqueceu enquanto atacava as sapatilhas. E o pior foi que o rapaz ainda se esqueceu do telemóvel junto com o pacote, pois precisa das duas mãos para os atacadores. Só que deu-lhe uma vontade daquelas que não olha a ocasião e quando voltou não é que alguém havia dado cabo da caixinha de broas que levava para a Sãozinha e, pior, agora como é que se vai lembrar de tanto número que tinha naquele cartão moche? O Gervásio acha que estas manias de insegurança que o senhor doutor tem agora não têm razão de ser, então porque é que não revistam a limusina e o hotel em Bruxelas, lá é que não o conhecem e são todos estrangeiros?! O melhor é darem uma revisão no papamóvel e os senhores doutores já não precisam de mandar 42 brigadas para caçar pacotes e coelhos em tocas que roubaram ao povo e em festas que fizeram suas e onde o povo (leia-se pata-rapada) não entra. E podemos não contar com esta polícia ou até com esta justiça. Ao que parece a polícia obedece à maioria parlamentar, não respeitando quem é eleito mas sim quem está no poder, esquecendo-se dos direitos de qualquer cidadão, para mais de um cidadão que representa uma parte do povo. Entrou pela tenda "adentro" e em lugar de prender os que verdadeiramente cometeram "pecados" e entalaram a Região que comemorava o seu DIA, atiraram-se a quem queria dizer de sua honra. A justiça porque, mesmo comendo à mesma mesa que o poder, deve ter a isenção para decidir e não aplicar suspensas a doutores e efectivas a patas-rapadas. É vermos a diferença entre um Alberto João indignado pela forma como o condenado Lobo atravessou a vila algemado e a atitude da 1.ª figura reformada desta Região perante um deputado estrangulado por um oficial de polícia fardado. Não estamos numa república das bananas, mas transformaram isto numa cooperativa para "bananas".
Paulo Gomes