O cinto que se aperta nos portugueses já está no último furo. O povo simplesmente já não tem alternativas senão contestar todos estes apertos. O ministro da economia, Álvaro Santos Pereira, foi alvo de uma contestação quando esteve em Covilhã, em que algumas pessoas juntaram-se para protestar e interromperam a marcha. Provavelmente é o que acontece quando se passa no meio de um protesto com um carro que não representa o "sacrifício de todos", tal como este governo tanto refere, e só enfurece ainda mais a multidão. Desvalorizando esse pormenor, o ministro referiu que "em grandes mudanças, há sempre vozes descontentes". E isto é algo que eu quero contestar. O povo português está descontente, não se tratam apenas de algumas pessoas. O povo já está num estado que eu vou chamar de anoréctico. As únicas alegrias que este povo tem recebido na sua vida quotidiana, não são, de certeza, os incentivos para emigrar ou a ameaça constante dos portugueses levarem mais um arrombo na sua carteira, mas sim um ou outro golo que o Ronaldo faz pela Selecção e que nem mesmo assim este escapa ao descontentamento quando se atreve a falhar. Durante este último mês falou-se e contestou-se, em Assembleia, na possibilidade dos portugueses virem a ser alvo de mais austeridade. Eu só gostaria de deixar um simples pergunta. Será que é possível os portugueses aguentarem mais? O estado extremo de anorexia deixa o povo já sem lado para onde se virar. Será que todo este sacrifício vai realmente salvar a economia nacional? Será que já pensaram que desta forma não funciona? Será que já repararam no valor do défice que não espelha os resultados pretendidos pelo governo? Será que não está na hora de repor o que não deveria ter sido tocado?

João Francisco Baptista - Colaborador da AAUMa