Leitora devidamente identificada Para quem ama os seus velhinhos, não os deixe sós no serviço de urgência. Acompanhe-os até ao fim. Na triagem feita à minha mãe, a técnica disse-me: "a sua mãe carece de oxigénio." O atendimento dentro da sala foi frio e carente de empatia. Sentei-me ao lado da minha mãe decidida a passar a noite. Estranhei que passadas duas horas ainda não lhe tivessem administrado o oxigénio. Sofrida, com a passividade, deixei sair alguma coisa do que me ia na alma, manifestando o meu desagrado e falta de confiança nos serviços. Logo de seguida fui abordada por uma médica que me disse: "a sua mãe tem o sódio um pouco baixo que vai ser compensado e administrado oxigénio. A senhora, se quiser, pode ir para casa." A minha mãe ficou a cantar "A Teresinha de Jesus". Às 7 horas entrei no hospital para vê-la ao que me disseram: "a sua mãe faleceu às 05.30 da manhã". Após alguma insistência, consegui ver o corpo da minha mãe. Ela apresentava no lado esquerdo da cabeça, na orelha e no pescoço um hematoma semelhante ao pescoço de um galo quando morto. O que aconteceu à minha querida mãe nas três horas da minha ausência? Nunca saias do lado do velhinho que amas porque salvar a vida... é uma questão de sorte.