Após a turbulência dos incêndios da semana passada e com a repentina passagem para os entusiasmos do rali, deveríamos reservar alguma lucidez para as discussões em torno do que é preciso fazer para evitar que, ao mais pequeno foco de incêndio, ou mesmo uma chuvada de Verão, o pânico tome conta das populações. Como ficou mais do que provado, é possível minimizar - nalguns casos até anular - os efeitos do fogo a que estaremos sempre sujeitos, quer por acção criminosa, quer por capricho da Natureza. O mais certo é que se encerre mais um ciclo de palpites e opiniões, em que todos têm razão. Do presidente do Governo ao "sr. José dos Anzóis no mercado de Joanesburgo", talvez em representação das centenas de emigrantes sobressaltados com as notícias sobre os incêndios, passando pelos munícipes mais passivos que temos por aí, todos concordarão que o principal problema reside na falta de limpeza e no acumular do mato. Falta de civismo, em última instância. Mas o que é que será feito, em concreto? Ouvimos o presidente do Governo anunciar que "acabou o porreirismo" - de que ele foi o principal mentor em todas as áreas. Logo de seguida, ouvimo-lo a dizer que as Câmaras Municipais já sabem o que devem fazer. Mas no próximo incêndio vamos voltar a lamentar a incúria, porque nada terá sido feito. Porque fazer esse tipo de coisas implica chatices, implica substituir o 'porreirismo' pelos incómodos. Resumindo, implica perder votos, o que interfere directamente com a meta de todas as metas. Com os bombeiros e a sua orgânica passar-se-á a mesma coisa. Todos fomos obrigados a reflectir sobre o assunto. Quase todos já teremos identificado os problemas. Mas o que é que será feito? Nada. A resposta é fácil, outra vez por causa dos votos, ou a perda deles. Também por causa do 'porreirismo' que está mesmo no fim, Jardim optou por simular uma 'visita de trabalho' aos locais afectados pelo fogo. A excursão de carros pretos foi apreciar as desgraças, sempre a correr para não ver nem ouvir os desgraçados. Mais coragem teve o presidente da Câmara de Santa Cruz: talvez para redimir-se da insensatez daquela 'escapadinha' para o Porto Santo, manteve a reunião em Gaula e sujeitou-se aos apupos. Outros passam horas, agora, a planear como se evitam as pessoas, agora apelidadas de 'pata rapada'. José Câmara, Investigador da UMa Tem trabalho meritório no âmbito dos produtos naturais, com eventual repercussão na prevenção de algumas doenças oncológicas e cardiovasculares. Os estudos ainda decorrem e podem dar frutos dentro de alguns anos. António Silva, Administrador da 'FX Hotelaria' Detém um percurso invejável no mercado dos equipamentos para hotelaria, restauração e similares. Agora, por sua conta e risco, compromete-se a elevar a fasquia na FX-Hotelaria. Os primeiros indícios são muito animadores. Vasco Bráz, Pres. Assoc. Náutica da Madeira É o principal impulsionador da regata 'Around the Clock', uma iniciativa que extravasa a mera competição desportiva, explorando a vertente da promoção turística e até colaborando com causas humanitárias com algum impacto. Jardim Ramos, Sec. Reg. dos Assuntos Sociais Não disfarça nada a sua desconcertante fobia face a situações bem mais graves do que lhe pedem para pintar. Agora veio a público com o redutor número de "apenas 15 casas destruídas". Experimente ir contá-las. Bernardo Sousa, Piloto Sem entrarmos em discussões do foro técnico, parece que já era de exigir outra maturidade ao jovem piloto madeirense, de modo a poder aproveitar as inequívocas facilidades e oportunidades que tem tido num desporto pouco acessível.