No momento em ainda estamos na 'ressaca' dos fogos que fustigaram a Região, é tempo de contabilizar os estragos e identificar as perdas reais e potenciais para todos os sectores da nossa economia. São inegáveis as repercussões negativas, isto sem falar dos prejuízos que recaem sobre particulares, muito avultados e moralmente irreparáveis. Foram dias de aflição onde a apreensão tomou conta dos nossos concidadãos, levando que o comércio e serviços se ressentissem, empresas suspenderam momentaneamente a sua laboração e que a agricultura sofresse um enorme revés. Também sobre o sector turístico, um sector nevrálgico para a Madeira, recaem expectativas desfavoráveis para um futuro bem próximo, muito por força de uma evidência estatística, de que após o fenómeno '20 de Fevereiro' o número de hóspedes decresceu fortemente, em termos homólogos, principalmente nos meses subsequentes à tragédia. Importa lembrar que este rasto destrutivo, abate-se sobre os madeirenses numa altura de agravamentos fiscais, desinvestimento público, perda de competitividade do CINM bem como diminuição da afluência turística que deriva da situação económica dos países emissores. Apesar de tudo, e em tempo de calamidade, emergiu uma grande valência da economia, sendo que a população imiscuiu-se, informal e espontaneamente, no ganhar terreno da economia solidária. Esperemos que, com a ajuda o chamado 3º sector, um estado interventivo e todos os mecanismos de apoio externo possíveis, venhamos novamente à mó de cima fazendo face aos danos provocados pelo lume arrasador. Quanto ao resto, é esperar que as mágoas se aligeirem, que árvores cresçam, que os turistas nos visitem...

Rafael Freitas, Colaboradora da AAUMa