Têm início amanhã, em Londres, os Jogos Olímpicos onde alguns atletas madeirenses marcarão presença. A velha discussão entre o amador e o profissional já está ultrapassada. Havia tempos em que os Jogos Olímpicos não permitiam que o amadorismo e o profissionalismo se misturassem. Sobre este propósito note-se os diversos episódios vivenciados por atletas vencedores nos Jogos Olímpicos que viram ser-lhes retirados os respectivos prémios, por se provar que à sua participação olímpica antecederam participações em provas com retorno financeiro. A filosofia de que o amadorismo e o profissionalismo eram realidades incompatíveis, onde o amador/puro e profissional/impuro era uma verdade absoluta e partilhada e teve um papel fundamental no longo processo de passagem da popularização à profissionalização do desporto a nível mundial. Sem o brilho de outrora os Jogos Olímpicos assumem, hoje, uma importância que se estende muito para além da desportiva. A importância política e, fundamentalmente, a económica prevalece. Fazem-se contas, estudam-se planos e acredita-se que a competição pode ser o tónico necessário para tirar a economia britânica da recessão. Mas não nos esqueçamos que a sua criação, há mais de 2.700, teve lugar na Grécia e que, depois disso, muitas outras edições lá aconteceram, sendo a mais recente datada de 2004. Nem sempre dá para sermos o mais rápido, o mais alto e o mais forte. Mas podemos acompanhar esta competição com todo o valor, atenção e honorabilidade que ela merece.

Andreia Micaela Nascimento