Rodeia-nos uma certa nostalgia quando relembrados os tempos em que jogávamos na rua não um mas vários futebóis, como o jogo dos banquinhos, o "ratinho", o bola no ar, o baliza a baliza, um contra todos, os postes e barras, entre outros. A bola poderia ser qualquer objecto de forma redonda, as balizas eram feitas consoante o material que estivesse disponível, o espaço de jogo (campo) variava conforme o contexto (a estrada, o beco, o terreno baldio) e a duração do jogo era segundo o chegar da noite ou até a mãe chamar para jantar. Árbitro? Para quê?! A variabilidade das condições de prática nestas situações, com os diferentes tipos de "bola", a inexistência de equipamentos especializados, os diferentes espaços, pisos e balizas, as diferentes funções e posições, os diferentes números de companheiros e adversários, tornam essas vivências ricas e diversificadas para o desenvolvimento dos praticantes. A criança por si só aprende a descobrir o mundo, e no futebol de rua aprende a descobrir o contexto à sua volta, procurando dar respostas a um variado conjunto de problemas que este lhe apresenta, tornando-se num meio natural de aprendizagem. Nós, enquanto professores de Educação Física e/ou treinadores, não devemos fechar os olhos às possíveis potencialidades pedagógicas do futebol de rua nem deixá-lo extinguir-se. Podemos então encará-lo como um instrumento pedagógico, empregando a sua essência nas nossas aulas/sessões de treino visando, intencionalmente, o desenvolvimento multidimensional dos nossos alunos/praticantes.
Mário Teixeira, Professor Estagiário