David Amorim Trabalhei na Educação da Madeira, com enorme prazer. Retornei à minha terra, uma ilha maravilhosa, que me empurrou na carreira….e que pessoas incríveis conheci. Fui à procura delas e fiquei estupefacto. Já sabia que os funcionários públicos estavam apertados, mas nunca pensei ver pessoas outrora alegres, disponíveis e hospitaleiras, tão desamparadas ! Para encontrá-las tive de subir uma montanha, cume acima, e encontrá-las desmotivadas, despersonalizadas. Quase não as conheci, nem elas a mim. São em número maior, mas em menor força. Sem aquele brilho que tanto os caracterizava, estão os funcionários jogados à sua sorte, sujeitos ao sistema que nem eles percebem, numa espécie de campo de concentração, à espera (quem sabe) de serem abatidos. O Presidente Alberto João costumava bradar aos céus que a Madeira é dos Madeirenses. Na altura achava exagerado, mas agora sei do que é que falava. Sr. Presidente, qual foi a sua ideia de colocar dois Directores continentais sem tacto ou conhecimento e tirar o brio de quem já lá estava ? Não que eu seja xenófobo, nem pouco que se pareça, mas o senhor tinha razão quando dizia que só luta pela Terra quem é da Terra. Agora colocou "cubanos" no poder….e a Direcção de Educação tão cinzenta, tão longe, onde as pessoas que mais precisam de ajuda terão dificuldade em lá chegar. Será de propósito? Para dificultar o acesso aos mais pobres? Para deixar de haver tanta disponibilidade? Visto este cenário, dirigi-me ao Conservatório de Música, onde deixei também muitos amigos. Para meu grande espanto, lá estava mais um continental a dirigir!! E os funcionários novamente perdidos, decepcionados e sem rumo!!!! O que fizeram à alegria e ao espírito de entre ajuda e cumplicidade que havia na Educação? Reservo-me ao direito de pensar que há alguma técnica maliciosa por trás disto tudo. Governar sem dinheiro é difícil, mas pior ainda é sem respeito pelos utentes e funcionários. O bom ambiente deveria ser prioritário para o bom funcionamento dum serviço, não incentivar as pessoas a se atropelarem umas às outras… Repense as suas ideias, Sr. Presidente, ou passe a bola para outro, pois as coisas agora já não estão a funcionar muito bem nas suas mãos.