Ocorreu em Las Palmas, no início de julho, a terceira reunião da RETI (Rede de Excelência dos Territórios Insulares), uma rede de universidades situadas em regiões insulares. Da rede fazem parte as universidades insulares portuguesas (Madeira e Açores), espanholas (Baleares, Las Palmas e La Laguna), francesas (Córsega, Reunião, Antilhas e Guiana, Taiti e Nova Caledónia), gregas (Mar Egeu, Ilhas Jónicas e Creta), italianas (Sassari e Cagliari, ambas da Sardenha e Palermo, na Sicília), às quais se juntam, ainda, Ryukyus (Okinawa, Japão), Prince Edward Island (Canadá), Cabo Verde, Malta, Cienfuegos (Cuba), Antsiranana e Antananarivo (Madagáscar) e Porto Rico (EUA). A universidade das Highlands & Islands (Escócia) foi a nova admitida, estando em estudo a candidatura de uma universidade cipriota. Para além das características insulares, o que une estas universidades são os problemas comuns que todas enfrentam e o seu desejo de colaborarem para melhorar os seus contributos para o desenvolvimento das ilhas onde se encontram. São, também, universidades com propósitos, fins e tamanhos muito diversificados (as universidades canárias, por exemplo, têm cerca de 25.000 alunos cada uma, cerca de seis vezes o tamanho da nossa universidade). Das diferenças de natureza, ressaltam as que resultam do facto de algumas das ilhas presentes (Cabo Verde, Malta, Cuba, Madagáscar) serem países independentes, outras terem estatutos autonómicos semelhantes ao nosso (Canárias, Baleares, Córsega, Sardenha), enquanto outras se encontram em outros contextos políticos. Diferenciam-se nos seus fins e áreas de intervenção também por questões geográficas, culturais e históricas. Assim, a importância dada à arqueologia é naturalmente maior no caso das ilhas mediterrânicas, onde o peso da história é muito significativo. A necessidade de preservação das culturas insulares, importante para todas, assume foros mais significativos no caso da Córsega, Polinésia e Nova Caledónia, ilhas que, sendo do estado francês, têm as suas línguas próprias e um grande interesse na sua preservação. Uma vertente mais tecnológica verifica-se no nosso caso e nas Canárias, mas assume, também, um papel importante nos objetivos dos Açores e de Cabo Verde, por exemplo. Pesem embora estas diferenças, a verdade é que todas estas universidades, quando confrontadas com os problemas específicos das suas regiões, constatam não ter, em geral, capacidade para responder a todos esses desafios. Mas, em muitos casos também, verificam que outras universidades insulares, porque fizeram outras opções, podem cooperar para a sua resolução, frequentemente com a mesma capacidade que as universidades continentais e, quase sempre, com uma sensibilidade mais adequada, fruto da sua própria insularidade. É que, este grupo de universidades reúne mais de 100.000 estudantes e mais de 5.000 académicos e investigadores, das mais diversas áreas. A crise que a todos, de uma maneira ou de outra, tem vindo a afetar, acabou por nos conduzir à conclusão de que uma aliança entre estas universidades, ao nível da formação e da investigação, poderá ser profícua e, se levada a cabo com alguma originalidade e coragem, poderá conduzir à criação de um sistema insular de investigação e ensino muito forte e capaz de rivalizar com os grandes sistemas continentais, sem deles se isolar, mas com capacidade para se afirmar e defender o seu próprio espaço. Neste sentido, a reunião de Las Palmas foi profícua pelos avanços concretos realizados, sobretudo ao nível do lançamento de iniciativas no âmbito de programas como o Edulink, onde a universidade da Madeira terá um papel de liderança a par de Las Palmas e onde se explorará a cooperação também com universidades angolanas e moçambicanas. Em outubro, em Lesbos, realizar-se-á a primeira escola de verão da rede e, pelo menos assim o esperamos, teremos a oportunidade de consolidar estes programas. No nosso entender, este será, no futuro, um dos caminhos que a universidade da Madeira deverá seguir.
Castanheira da Costa