Pedro Melvill de Araújo Qualquer tragédia traz consigo uma sensação de impotência a quem, de fora, assiste sem possibilidade de poder contribuir para o alívio de quem sofre. É também transversal a todos quantos experimentam a fúria da Natureza. Na Madeira temos sentido, nos últimos anos, muita dessa fúria. Podemos sempre discutir o que se pode ou não fazer, se o que já está feito está bem feito, se poderia ter sido feito de outra maneira eventualmente mais eficaz, enfim, tudo é equacionável, mas não tenhamos ilusões, contra as intempéries, quando violentas, pouco ou nada se pode fazer na altura em que se desenvolvem. Há prevenções, planos, atitudes, que por muito programadas que estejam, podem minimizar os efeitos mas não vão impedir que a Natureza siga o seu curso. Por isto mesmo, o trabalho de quem está no terreno e de todo um voluntariado que na retaguarda vai proporcionado alívio a quem está em sofrimento, é de uma importância tal, que todos os que não sofrem directamente os efeitos da tragédia têm, por dever, enaltecer e ajudar, nem que seja com palavras de incentivo, deixando para depois os comentários comezinhos que alguns demonstram vontade de tecer, só para se "ouvirem" falar. Quero deixar uma palavra de conforto e solidariedade a todos os que sofrem com esta nossa humana impotência, que nos põe a alma a chorar, de não termos capacidade de actuar e prever a força que a Natureza tem quando resolve actuar, principalmente a todos os que com muito esforço trabalharam para minimizar os efeitos de mais esta tragédia. Um Viva bem alto e um bem hajam.