Juvenal Pereira - Olha acolá. Está tanta gente lá. Vamos ver o que há. - " Minhas senhoras e meus senhores, aproveitem este leilão, adquirindo os vossos bilhetes para a grande "Festa da Ilusão"! Não pagam 10,não pagam 5, nem pagam 4. Por 1 simples euro podem dar meia-volta à região de autocarro! Senhoras e cavalheiros se encontrarem mais barato devolvemos o dinheiro! Um bilhetinho para si, um bilhetinho para aqui e ainda outro para ali. Ninguém fique em casa, venham assistir à maior e mais empolgante festa de toda a costa de áfrica! Minhas senhoras, meus senhores, meus amigos, queremos atingir os 40.000 bilhetes semi-oferecidos! - Olhe, senhor leiloeiro, eu queria ir e levar toda a família mas não tenho dinheiro. - Essa agora. Como se chama a senhora?
- Elizabete.
- Dirija-se à nossa sede, diga que vai da minha parte e os seus bilhetes serão completamente grátis. Vá, minha senhora, leve o seu marido, o seu filho, a sua nora e não deixe em casa os miúdos porque a festa é para eles e para os graúdos. Ninguém perca este espetáculo pleno de entretenimento e emoção. Fados e guitarradas, despiques à desgarrada e a sublime atuação dos mais conceituados trapezistas, malabaristas e ilusionistas de toda a Região. E ainda como artista convidado teremos um tenor conceituado! - Olha lá, o organizador não brinca, pelo menos não trás nenhum artista de música pimba. - O senhor aí, não quer um bilhete para si? - Não, senhor, pode estar muito calor e se eu adoeço não tenho dinheiro para ir ao doutor. - E a senhora não leva uns bilhetinhos para si e para a sua família? - Eu bem queria, mas as festas, mesmo bonitas, não me pagam as dividas. Nem aquelas que eu contraí sem ninguém me obrigar, e muito menos as que certos irresponsáveis contraíram mas que temos de pagar. - Meu caro senhor, compre um bilhetinho por favor. Com 1 euro (que nem dá para um quilo de peros) pode passear e assistir a uma festa de deslumbrar. - Meu amor, vá lá, compramos o bilhete já. Por 1 euro está barato, é quase dado. - Aguarda. Com a crise que está, ele ainda vai ter que pagar para irmos lá. - Será verdade? Eu acho que ao irmos e pagar um euro já estamos fazendo uma obra de caridade. - Espera, deixa-me fazer uma pergunta ao leiloeiro: Olhe, senhor, para comer e beber é preciso levar dinheiro? - Bom…bom, meu amigo, assim que eu acabe o leilão falo consigo. - Estás a ver, querida, a gente com sorte, de borla, vamos à festa, vimos o espetáculo e ainda enchemos a barriga! - Temos que fazer pela vida…