A cada dia que passa torna-se incompreensível a apatia política perante um flagelo que década após década apresenta-se como uma maldição, corroendo a região, deixando-a sem qualquer futuro aparente. Falemos sobre a emigração e o desemprego jovem. Segundo dados do Eurostat o desemprego jovem na Zona Euro assume valores nunca antes vistos, possuindo uma média superior a 26%, mas este cenário torna-se muito mais assustador se apenas cingirmo-nos á realidade regional, onde os valores rondam os 39%. Nunca em período democrático os valores do desemprego jovem atingiram valores tão degradantes para a nossa sociedade. Sem oportunidades e esperanças em conseguir desenvolver uma atividade no local onde nasceram, os jovens vêm-se forçados a emigrar. Saliento, Forçados. Podemos rodopiar em pensamentos e teorias sobre o quão benéfico a emigração pode ser para o currículo de um jovem, mas a verdade mais cruel é que dia após dia perdemos a mão-de-obra mais qualificada que esta região alguma vez teve em toda a sua história, perdendo-se não só o investimento educacional feito ao longo dos últimos 30 anos, mas também, a possibilidade de um progresso económico resultante desse mesmo investimento. Mas enquanto a política regional e nacional vivem á conta da ideologia do "Deus dará", os países de acolhimento destes jovens agradecem. No fim de contas a infelicidade de uns é a alegria de outros.

Diogo Gonçalves, Colaborador da AAUMa