A efeméride do Dia da Região e das Comunidades Madeirenses, que hoje se assinala, será, com toda a certeza, mais uma daquelas alturas para acentuar os delírios que têm animado os últimos tempos, nos quais um Governo responsável por uma Região tecnicamente falida e à beira do colapso social e económico, continua a apregoar uma competência que não tem e a vender méritos que não concretizou.

Os verdadeiros e consequentes números desta Região que hoje celebra o seu dia não são os quilómetros de via-rápida, de túneis e viadutos que se construíram, nem são as inúmeras obras de duvidosa utilidade que apenas serviram para manter a grande ilusão em que vivemos durante anos a fio.

Os verdadeiros números raramente são mencionados em discursos oficiais, mas constroem uma estatística mais real do que qualquer movimento demagógico no sentido de um sucesso que nunca o foi ou de um desenvolvimento que se arrisca a não ser o garante de futuro.

Da Região que hoje se comemora, só faz sentido destacar os números de um desemprego que cresce todos os dias e que traz com ele a perda de todos os sonhos e de todas as esperanças. A Região é feita de gente e não de conceitos, de discursos inflamados, de referendos a coisa nenhuma, de jantares pseudo-independentistas, de sucessões mais ou menos monárquicas, de inimigos imaginários e outras fantasias que apenas servem de distração a quem ainda se pode dar ao luxo de se distrair.

O povo, esse, o verdadeiro pulsar de um território, não se pode dar a esse luxo, porque até mesmo os delírios precisam de chão onde assentar os pés. E o povo, este povo, perdeu o chão, o céu, o norte, o sul. Perdeu o emprego, paga mais pela gasolina, paga mais impostos, entrega a casa ao banco, tira os filhos da universidade, pede ajuda alimentar, faz contas, perde-se nos números que já não domina, perde-se nos sonhos que pensou ter, perde-se na esperança que desconhece.

Deste ponto de vista, a Região é hoje uma miragem e as Comunidades Madeirenses uma realidade e um projecto que está ser equacionado por muitos. A Região está virada para esse cais de partida, para o aeroporto da Madeira Nova, verdadeira e única acessibilidade para um futuro, que volta a desenhar-se na diáspora onde os nossos governantes se passeiam em discursos elogiosos a uma Autonomia que, verdadeiramente, já não existe.