Tem 36 anos, chamam-lhe Autonomia e continua solteira, tal como a culpa. Já foi atraente e alegadamente rica, desejada e considerada, embora sempre fraca em contas, em criatividade e em visão. Uns julgam-na perdida de vez. Outros, apenas insolvente. Com graves défices de formação e sem capacidade de afirmação, desde jovem que é abusada por muitos daqueles que dela se serviram sem pudor e que quiseram acasalá-la com independentismos e federalismos. Sem o consentimento alargado para o golpe, manteve-se em união de facto com tudo o que agora é diagnosticado como grande fraude, casos da subsidiodependência, das negociatas, da corrupção, da dívida oculta e do investimento fundador da miséria. Viciou-se na bagunça e em jogos de bastidores, acabando por desterrar-se em acordos suspeitos e em apostas sem retorno. Adora ser refém do poder que gerou e está sempre pronta a satisfazer caprichos sem questionar consequências. Dá guarida a uma arca de Noé embora imponha regras e regimentos que prejudicam os menos ferozes na selva. E mesmo já sem o esplendor de outrora, ainda motiva festas, circo e gozo. Não admira que agora seja ridicularizada pelos seus, fartos dos defeitos e do feitio incorrigível. E o pior é ter dificuldade em levar a sério o que é essencial para um futuro colectivo. Demoradamente ocupada pelos mesmos, qual folha seca em relva tenra, evidencia preocupantes sinais de degradação. Outrora não exercitou a capacidade de cidadania crítica, não libertou o povo das dependências, não educou para alternância e não favoreceu a implantação de todas as normalidades. Agora permite que a esperteza vingue, que o desemprego cresça e que uma nova vaga de emigrantes, mais indefesa e pobre, tenha que enxugar lágrimas com o vento. Ampara medíocres sem capacidade de discernimento e insensíveis ao que é prioritário. Privilegia as cunhas aos méritos, os seguidismos aos talentos, o silêncio ao diálogo. Dizem que, mesmo em coma, ainda é o futuro. Talvez para quem acredite em milagres ou na capacidade de regeneração de uma sociedade que esbanjou oportunidades para não dever a dignidade a ninguém.

Monteiro Diniz - Ex-representante Deu a entender que a autonomia falhou. Mesmo assim injectou esperança. A solução para a libertação até é fácil. Haja coragem. Miguel Mendes - Comandante da PSP Transmite confiança, o que é elementar na segurança pública, sobretudo numa Região que tem por hábito esconder dramas. Castanheira da Costa - Reitor da Universidade A boa nota da Associação Europeia de Universidades é merecida. A "mudança extremamente impressionante" na UMa sente-se. Carlos Fino - Poeta e professor Denunciou e bem o folclore político regional. Um governo que apoia templos e festas em vez de Cultura só pode ser comediante. Cristiano Ronaldo - Futebolista Mostrou no 'Euro' todo o seu talento, garantindo vitórias e sonhos. Fica a sensação que poderia ter feito mais, pois dele tudo se espera.

Ricardo Miguel Oliveira - Director