- "Nós já temos tantas frentes, que mais uma menos uma, não tem assim grande... não tem qualquer significado". - "Estamos aqui para trabalhar, para o que nos mandam fazer, mais nada". (DN 26 Junho) Foi cá uma gargalhada porque isto... são duas daquelas a que ninguém resiste. - Então vossas excelências esfolaram-se tanto, p'ra baixo e p'ra cima, mais p'ra baixo mas enfim, esfolaram-se. Juntaram candidatos, elegeram cursos e mais cursos, tudo na mira de mestrados, licenciaturas, doutoramentos e afinal para agora serem mandados, mais nada!? Palmaram-lhes a iniciativa, empurraram-vos para a véspera e apossaram-se do vosso dia de glória, e agora de repente, a pretexto de evitar coincidências com a final do Campeonato da Europa, riscam o vosso espectáculo das comemorações do dia da Região...!? - Levam assim no focinho e não ficam incomodados?! Tem a sua graça, mas a questão que aqui se levanta é muito mais séria do que parece. A cultura é um exercício de cidadania onde se disputa o valor da liberdade da educação e da autonomia. Fechar os olhos e cumprir com tudo o que o chefe manda prevalece e talvez explique o tal atavismo cultural que ultimamente tem vindo á baila. Mas a cultura tal como a cidadania, nunca se fez de paus mandados! Por alguma razão, o edifício do Ateneu, estrutura desde sempre ligada às artes e que tanta falta faz à cidade, nunca foi alvo de reivindicação para, por exemplo, colmatar a grave lacuna que é a inexistência de uma sala de exposições permanente no Funchal. Hoje, que se comemora o dia da Região, talvez não seja má ideia aconselhar estes "amestrados" a olharem para a espinha dorsal de muitos dos "pata rapadas" a ver se descobrem algumas diferenças.
Eurico Martins - Director artístico da Orquestra de Bandolins da Madeira