Joseph Stiglitz, Nobel da Economia, afirmou recentemente que nunca houve um programa de austeridade bem sucedido e acrescentou que a abordagem europeia foi a menos prometedora o que poderá levar ao suicídio da Europa. Com efeito temos vindo a assistir ao declínio da economia de alguns países da comunidade europeia que já tinha a Grécia, Portugal e Irlanda em estado recessivo e que agora vêm a ameaça da Espanha e Holanda que poderá repercutir-se noutros países se nada for feito para inverter o actual cenário. Portugal como é sabido vive um dos momentos mais difíceis da sua economia com uma recessão que já atingiu os 3,1% e com uma taxa de desemprego recorde de 15,3%. O primeiro-ministro diz-se preocupado com o nível desemprego atingido mas não deixa de ser estranho que diga que esse valor ainda vai subir até 2013, não revelando qual a estratégia que o seu governo irá traçar para debelar este flagelo que atravessa a nossa sociedade, apesar de agora querer dar sinais, ainda que ténues, de inversão com o programa destinado aos jovens desempregados. Junta-se a esta falta de estratégia, o facto das receitas fiscais, nomeadamente do IVA, estarem a evoluir muito aquém do expectável, o que aliás era um cenário perfeitamente previsível face ao nível de desemprego e ao baixo poder de compra dos portugueses. Com este caminho e com aumento dos encargos sociais, dificilmente, este governo vai conseguir cumprir o déficit de 4,5% o que poderá acarretar novas medidas de austeridade. Como será possível aguentar esta obsessão do governo em querer nos impor austeridade sobre austeridade quando assiste-se ao aumento acentuado da falência das famílias e das empresas, à degradação das condições de vida dos portugueses cada vez mais pobres e com uma expectativa de futuro mais sombrio pois não há sinais visíveis de crescimento económico nos tempos mais próximos perante as políticas prosseguidas por este governo. Estamos a chegar ao momento mais crítico da tolerância e se nada for feito para nos dar uma esperança de melhores dias que este governo tarda em dar e que só nos apresenta cenários de dificuldade acrescida, revelando total insensibilidade para os problemas sociais que grassam cada vez mais na nossa sociedade, só nos resta lutar com determinação para inverter este quadro.
José Manuel Oliveira