O pior que pode acontecer a um País, a uma Região ou a uma Empresa é a imprevisibilidade, a má imagem e a falta de soluções para os problemas. Ter problemas é normal na história dos países, das Regiões e das empresas. Não ter soluções para os resolver é que é inaceitável. Aquilo que se exige aos governos e às administrações das empresas é que encontrem e implementem soluções que resolvam os problemas. É precisamente isso que não está a acontecer na Europa, em várias Regiões e em muitas empresas. A atual crise é "uma grande crise" não devido, apenas, aos problemas mas, principalmente, à falta de soluções. Como não têm sido encontradas soluções para os problemas, estes têm-se agravado profundamente. Vale a pena lembrar que a Europa ciclicamente tem problemas económicos. Sempre foi assim. Aliás nas últimas décadas tivemos várias crises. Umas maiores que outras. A questão desta vez não é o problema é a falta de soluções para o problema. É a falta de uma classe política preparada técnica e politicamente para resolver os complexos problemas que os países, as regiões e as empresas têm. Antes era muito mais fácil governar um País, governar uma Região, administrar uma empresa. Bastavam "alguns" conhecimentos e muito feeling . Agora não. Os problemas são maiores logo as soluções são mais exigentes. Logo os políticos e os gestores têm de estar mais preparados e muito mais atualizados. Tanto do ponto de vista técnico como político. No entanto o que reparamos é confrangedor: os problemas são complexos e boa parte da classe política e os dos gestores são medíocres. É esse o nosso maior problema, neste momento, na Europa. Como se compreende, por exemplo, que o problema da Grécia já se arraste há 3 anos? Estamos a falar de uma economia que só vale 2% da economia europeia!? Obviamente que, como não foi resolvido a tempo, contagiou outros países. Obvio. Outras duas questões decisivas: a imprevisibilidade e a má imagem. Já escrevi que a "velocidade com que as coisas atualmente acontecem tornou-se no maior fenómeno da atualidade". Este é um facto indiscutível. Aliado à incompetência dos governos e dos gestores, este fenómeno da "velocidade" com que as coisas acontecem tornaram a vida de hoje "imprevisível". O que é mau. Cada vez mais os planos dos Estados, das Regiões e das empresas são planos imediatos ou no máximo a médio prazo. Ninguém sabe como será o País daqui a um ano; como será a empresa daqui a um ano. Este facto é terrível. É impossível apostar em grandes políticas, em grandes investimentos se não trabalharmos para horizontes largos. Só que neste momento devido precisamente à imprevisibilidade é impossível fazer grandes projetos ou grandes planos. Já quanto à imagem dos países, das Regiões e das empresas. Trata-se de uma questão fundamental. Dou um exemplo: o número de turistas que visitam a Grécia, neste momento, é muito menor que o número de turistas que visitaram a Grécia há cinco anos atrás. Porquê? Naturalmente devido à péssima imagem que a Grécia tem, na atualidade, junto da opinião pública internacional. Uma lição para outras Regiões. Ninguém quer passar férias em Regiões com problemas. É por isso que a preocupação com a Imagem dos países, das Regiões e das empresas é fundamental.

Paulo Neves