Desde que me lembro a Madeira sempre lutou pela autonomia, embora usasse o titulo pomposo de Distrito Autónomo do Funchal, que era mais para "inglês ver", do que propriamente para tirar qualquer beneficio. Depois do 25 de Abril de 1974 apareceram, oportunisticamente, os "Grandes autonomistas", como se até àquela data não houvesse quem tivesse lutado por esse objectivo. Os novos, sim é que eram autonomistas e como não tinham "bases" de imediato começaram a confundir autonomia com transferência de poderes do Terreiro do Paço para a Quinta Vigia e não para o povo madeirense. Curiosamente foram pessoas que serviram e se serviram do regime anterior que mais depressa tentaram apanhar esse combóio….Tudo passou a ser feito em nome da autonomia, como num querer enganar o povo, propondo legislação para uma "democracia" musculada, em que tudo era e é controlado pelo poder regional…. "Quem não era a meu favor, era contra a Madeira", tentaram e conseguiram confundir autonomia com poder pessoal, com a tal ânsia de poder, de mandar (quero, mando e posso), a tal ponto que, como sempre acontece, acabaram por se perderem. Dominaram tudo e tentaram dominar todos e quem não era monocolor sujeitou-se a verdadeiros ataques terroristas, como bombas e incêndios em viaturas, ameaças de sequestro de filhos e familiares, agressões físicas, marginalização total de empregos e perseguição nos locais de trabalho e que o poder judicial nunca quis intervir, nem sequer investigar. Surgiu o medo. As pessoas começaram a ter medo de falar, obrigados a irem a festas e comícios de bandeirinha laranja na mão, sentavam-se na primeira fila para serem vistos e tinham medo de não votar na maioria com receio que descobrissem e fossem perseguidos…. Desde a mais pequena associação aos maiores clubes, tudo tinha de ser gerido por pessoas da cor, os outros eram os incompetentes, limitavam-se a ser mandados e quando assim não acontecia, acabavam-se os apoios oficiais, eram marginalizados e muitos acabavam por se demitirem por amor á agremiação de que faziam parte… Foi assim com as Camaras Municipais e Juntas de Freguesia, também, tentava-se tirar todos os meios de subsistência….a própria Igreja que deveria praticar o Evangelho, a palavra de Cristo, afastou-se desses princípios para se encostar ao poder para, também comer àa mesa do orçamento regional….começou com D. Francisco Santana, que colocou esta gente no poder, talvez o mais interventivo directo de todos os Bispos, mas com este toda a gente sabia como era, não enganava ninguém, marginalizou os sacerdotes que não comungavam das suas ideias, muitos saíram do seu múnus e tornaram-se em civis, chegando mesmo a haver pelo menos uma suspensão a um padre que nunca foi capaz de vender sacramentos, que sempre esteve com o seu povo….depois os que se seguiram passaram a ser menos interventivos, mas talvez mais aconchegados ao poder…Nunca me esqueço um bispo que me disse que se estivesse nos Açores, seria apoiante de Carlos César!!!! Quem não se lembra da cena caricata do actual bispo que "acidentalmente" se encontrou com o primo Anibal na Ribeira Brava, quando da última visita do Presidente da República à Madeira??? O poder politico começou a regionalizar, mas não foi capaz de assegurar o futuro, só queria o poder, a parte financeira não era importante, apesar de me terem garantido, logo na primeira regionalização, que sim que o futuro estaria assegurado…vê-se já se fala em voltar para trás oficialmente, já se pede que a saúde e a educação seja paga pelo poder central, o que demonstra toda a incompetência dos regionalizantes…"conquistou-se" alguns poderes, entretanto transferidos para cá, ficaram de papo cheio pois passaram a ser os senhores mandantes…a legislação favoreceu a Região, curiosamente algumas sem a intervenção do poder regional, mas sim por uma questão de justiça…estou a lembrar-me da diferença no IVA de menos 30% para compensar a insularidade, incluindo as despesas de transportes…O IRS, o IRC também eram mais baratos, não havia taxas moderadoras, os funcionários públicos recebiam um pequeno subsidio de insularidade, o salário mínimo nacional era mais alto na Madeira e umas outras regalias que somadas, davam um dinheirinho…mas de repetente tudo foi pela água abaixo: O IVA, o IRS, o IRC, os ordenados da função publica e outras taxas, foram equiparadas ao todo nacional, embora um ou outro com uma ligeira diferença, vieram as taxas moderadoras na saúde sempre negadas e desmentidas pelo poder regional e para cumulo todos os serviços do Governo Regional foram obrigados a subir 15%....ou seja as regalias que porventura existiam foram-se, mas o que é mais grave é que não foi por decisão do poder regional, mas por imposição do Terreiro do Paço, como castigo à desonestidade de ter governado mal, de ter culpado sempre os outros e fundamentalmente de esconder contas…..resumindo numa frase " e toda a autonomia, o vento levou"……

Duarte Caldeira Ferreira