O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, irá visitar a China numa missão de Diplomacia Económica para a qual convidou 50 empresários portugueses. Seria esperar, que desta meia centena de representantes da nossa economia pelo menos um, fosse da Região Autónoma da Madeira, mas Paulo Portas não encontrou relevância em que a Madeira estivesse integrada na sua digressão ao Império do Meio, que é tão só a segunda economia mundial e deixou os madeirenses de fora uma vez mais. Do ponto de vista político falhou o CDS-PP _Madeira que não conseguiu convencer o seu líder partidário, Paulo Portas, da importância que tem a economia insular no contexto nacional e de fazer valer o conceito de continuidade territorial; e, claro, falhou também o Governo Regional que não abriu canais de diálogo com o Governo Central de forma a permitir incluir nesta importante representação económica a Pequim, Xangai, Hong Kong e Macau empresários madeirenses; mas acima de tudo, e de todos, chocou a posição do Governo Central, e em especial, de Paulo Portas a quem cabia convidar empresários das regiões autónomas uma vez que - pelo menos da última vez que vi no mapa - estas pertencem ao território português e não podem ser discriminadas ao sabor de querelas mesquinhas político-partidárias. Paulo Portas, que até agora tem conseguido neste governo passar entre os pingos da chuva, estando mais desaparecido do que no palco do combate político, deixando esse choque para Passos Coelho e para Vítor Gaspar, fica aqui manchado e a nódoa tão cedo não irá sair. Cabia-lhe um papel mais pacificador, pois tem a seu cargo a politica externa, a imagem externa de Portugal. Poderão os mais tradicionais perguntar: mas, o que levaria a Madeira à China? Assim, de repente, e sem pensar muito, temos a hotelaria; o design de interiores da Nini Andrade Silva; a arquitectura de Paulo David; os produtos de luxo, como por exemplo, o Vinho Madeira e os Bordados; projectos de investigação científica com componente comercial, ou mesmo tão só científica de primeira linha da Universidade da Madeira (UMA). Haja vontade, porque capacidade não nos falta.
Raquel Fraga, Historiadora de Arte