Manuel Oliveira Araújo "Se minha Teoria da Relatividade estiver correcta, a Alemanha dirá que sou alemão e a França declarar-me-á cidadão do mundo. Mas, se não estiver, a França dirá que sou alemão e os alemães dirão que sou judeu." Albert Einstein O nosso pequeno mundo é assim. Quando as nossas ideias demonstram ter razão ou, quando conseguimos fazer com que outros pensem e raciocinem de forma similar, é uma certeza que todos hão-de querer a sua quota-parte de reconhecimento. Somos cidadãos do mundo! Se não, somos descartados sem apelo nem agravo. Se eu tiver razão, se acertar nos meus pressupostos, serei um herói português, que os reguladores e os fazedores de opinião do país tudo farão para me declarar cidadão do mundo, fazendo esquecer, ocultando o mais possível, a minha origem. Se não tiver, os mesmos portugueses dirão, com ar jocoso, que sou oriundo da Madeira, terra fonte de todos os males que assolam Portugal. Não sei se estou certo ou não, até porque não faço bem a ideia sobre o que é que poderei estar certo ou errado. Logo não poderei nunca ser considerado nem herói nem proscrito. Bom!... O bom mesmo é estar sem opinião, sem atentar contra quem tem o poder de dizer quando estamos bem, assim-assim, ou nem-por-isso. E é assim que nos querem: um pouco nem-por-isso ou muito nem-por-isso. Mas fico preocupado! Para estes reguladores do nosso mundo, a felicidade do indivíduo pouco importa. O que conta é a sua própria felicidade! E o que nós queremos é uma sociedade em que todos, livres e unidos, disponhamos dos meios de produção suficientes para nos libertarmos dos fautores desta guerra económica e social, e de todos os personagens insaciáveis que actualmente dirigem o mundo, porque para eles não passamos de servos, de escravos. E para eles, os escravos mesmo que bem tratados, não passam de escravos. E como não sei como é que as coisas estão, não posso estar, livremente, sem opinião sobre o assunto. Para estar livremente sem opinião ou, eventualmente, sem querer expressá-la, preciso saber de tudo e muito bem explicadinho. Assim tenho a liberdade de escolher sobre ter ou não ter opinião. Posso escolher ser cidadão do mundo, português, madeirense, herói ou vilão nesta história que nos tentam fazer engolir sem nós pedirmos ou sem termos sido minimamente chamados a ter opinião. E como não está tudo muito bem explicadinho quero, e tenho esse direito, poder dizer o que penso sobre o que se passa na minha terra, no meu país, no mundo, e assim exijo aos governantes deste mundo, deste país, desta terra que comecem já a explicar porque é que, e como é que, deixaram que as coisas chegassem a este extremo. Ou não sabiam, e foram ingénuos, ou sabiam, e foram coniventes. Se foram ingénuos, ainda estão a tempo de se transformarem em heróis desta terra, deste país, deste mundo. Se foram coniventes, então que sejam proscritos e banidos de qualquer cargo, tacho ou outra qualificação que tenham. Sejam heróis e transformem-se em cidadãos do mundo reconhecendo os seus erros e, se tiverem essa capacidade e coragem, aprendendo com eles, proponham e promovam alternativas a este estado de horror em que nos afundaram. Pela minha parte, faço o que posso com a escassa informação que me vão prestando. Herói ou vilão, sempre vou dando a minha opinião. Post scriptum: o Cristiano Ronaldo quando acerta é um português cidadão do mundo. Quando falha é o madeirense. E há-de ser sempre assim. Albert Einstein tinha razão.