'Portugal é o 5º país de uma lista de 16 da OCDE em que as famílias mais gastam para ter um filho no ensino superior.' Assim começa uma reportagem de 6 de Junho de 2012, da autoria de Madalena Queirós, publicada numa conhecida página noticiosa da Internet. Baseada no estudo "O Custo dos Estudantes no Ensino Superior Português" de Luísa Cerdeira, especialista em políticas e organização do Sistema Educativo da Universidade de Lisboa, a notícia indicava que cada português que tenha um filho universitário gasta com ele 63,6% (isto é 5613 euros/ano) do seu rendimento, em média, sendo esse valor calculado somando-se primeiramente as despesas da educação e custo de vida, subtraindo-se o valor médio da bolsa e as despesas de educação dedutíveis no IRS. Estes valores são estatísticos e, portanto, não são dados absolutos para todo cidadão. O leitor deve ver criticamente que a notícia divulga uma versão muito limitada e de forma apelativa o que é dito num extenso relatório. Contudo a notícia é de extrema importância pois pretende denotar o enorme investimento em cada recurso humano nacional. Se pensarmos ainda que as Universidades e os Politécnicos Públicos retiram a menor parte da sua despesa de formação (entre 20% a 25% do custo) das propinas, concluímos que tudo o resto tem que vir de serviços próprios de outra natureza, de mecenatos mas acima de tudo do Estado, do dinheiro dos impostos. Achamos ainda normal deixar emigrar tanta gente de valor e haver tanto incompetente em funções havendo alternativas às dezenas? Devemos estar loucos, certamente.

Carlos Diogo Pereira, Colaborador da AAUMa