Acabou o sonho de Portugal no Europeu de futebol. Empatámos com a Espanha, perdemos nos penalties. Estamos fora da final. Não adianta ‘chorar’. Mas sempre podemos ver os ganhos a médio prazo deste desaire com efeitos imediatos: temos equipa, temos treinador! Portugal aterra esta tarde em Lisboa muito mais forte do que quando partiu há quase um mês. Saímos de charrete, regressamos de limusine. Os méritos são integralmente do líder Paulo Bento – que nem sequer é brasileiro, mas conseguiu o respeito da maioria dos portugueses. Não está em causa concordar com todas as suas opções, porque isso seria impossível, mas porque o seleccionador demonstrou ter ‘coluna vertebral’.
A meia-final perdida
O jogo de ontem mostrou ao mundo a primeira equipa a impor respeito aos campeões do mundo e da Europa. O treinador de Espanha já havia confessado a sua admiração e receios pela equipa portuguesa; ontem, em campo, foi coerente com esse discurso e tomou todas as precauções. Portugal, por seu turno, fez quase tudo o que estava ao seu alcance: reduziu drasticamente a qualidade de jogo do seu adversário e nunca descurou o ataque. Em determinadas alturas jogou taco a taco e algumas vezes empurrou o adversário para situações de pânico que não lhe era muito habitual. No cômputo geral não foi superior, mas também não se pode dizer que tenha sido inferior. Na ‘lotaria dos penalties’ alguém tinha de sair. Coube a Portugal. Paciência. Pessoalmente, nas conjecturas que se permitem a todos os seguidores do futebol, preferia que Portugal tivesse sofrido um golo na primeira parte. Isso seria suficiente para espicaçar os nossos jogadores, compreensivelmente ‘amarrados’ a uma estratégia montada em função do resultado que não era desfavorável. Esse golo não aconteceu, Portugal deu-se por satisfeito com o facto de ter surpreendido Espanha e de tê-la obrigado a respeitar Portugal. Mas teria sido melhor que o resultado nos ‘soltasse’ e nos obrigasse a ir à procura de um resultado melhor.
Habilidades turcas
Não se pode dizer que o árbitro turco tenha feito uma má arbitragem, em sintonia com as confessadas pretensões do presidente da UEFA, que sempre quis um Espanha-Alemanha na final do Euro’2012. Vimos o árbitro turco esboçar algumas habilidades. Aquela de anular a jogada do Nani quando este se desenvincilhou de outros jogadores espanhóis, da mesma forma que sempre que o Bruno Alves saltava mais alto era falta contra Portugal, são detalhes que não podemos esquecer. E que nos levam a acreditar que o árbitro turco não enjeitaria a possibilidade da atender aos desejos do sr. Platini.
Temos ‘capitão’
Foram vários os jogadores portugueses que cresceram neste Euro’2012. Cristiano Ronaldo não ficou melhor jogador, mas é certamente um jogador diferente para melhor, mais maduro, mais colectivo, menos ‘centro do mundo’. Isso deduz-se das suas declarações e da sua postura. É evidente que o jogador madeirense beneficiará pessoalmente desse crescimento, dessa evolução. Mas Portugal também terá benefícios directos. Temos ‘capitão’ para muitos e bons anos.