No passado dia 10 de Junho, assinalado como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, pudemos assistir, na minha opinião, a um dos melhores discursos que já ouvi. Refiro-me ao discurso do Professor Doutor Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa na cerimónia realizada no Centro Cultural de Belém perante a apatia dos chefes de estado. Este discurso corajoso e motivador apela à verdade de um sentir colectivo, centrando-se nas dificuldades económico-sociais do país, embora sem medo refira o caminho a seguir e o que de mal foi feito durante estas décadas. Falou ainda da liberdade, da igualdade, do mérito e do conhecimento. Referiu e muito bem, aspectos que também tenho vindo aqui a sublinhar, tais como a falta de organização estrutural, a fraca aposta na cultura, no ensino e na ciência que levaram à dependência de investimento externo e a uma fraca estrutura interna. Temos de apostar na Ciência, na Tecnologia, de forma sustentada, talvez a partir da criação de sinergias, evitando assim perder os nossos grandes intelectuais para o exterior. Sampaio da Nóvoa mostrou que ainda temos intelecto e que devemos preservá-lo! Também importante foi o apelo ao acordar de um país há muito adormecido, para o que somos, para a nossa História feliz e para o povo com os sonhos de Abril, os quais somos e temos o direito de continuar a ser. Citando o Professor Doutor, e creio que a parte que exige de nós maior reflexão, são as palavras de Fraklin D. Roosevelt num tempo mais difícil do que aquele que vivemos actualmente, em que este referia que a democracia funda-se em coisas simples e básicas: igualdade de oportunidades, emprego para os que podem trabalhar, segurança para os que dela necessitam, fim dos privilégios para poucos e preservar a liberdade para todos. Parece fácil, não parece?
Vítor Andrade, Colaborador AAUMa