Estar em férias tem muitas vantagens, além do descanso natural de um ano de trabalho. Uma delas é ver as coisas 'de fora' e com algum atraso, o que ajuda a reflectir. Também permite ver outras realidades, neste caso no próprio País. Desde logo, confirmar, mais uma vez, a grande burla política que é a propaganda do desenvolvimento da Madeira, em oposição com o atraso decretado para o resto do País. Uma mentira, repetida e gritada em campanhas regionais e, agora, para justificar uma dívida brutal, um desgoverno gritante e a incapacidade de fazer melhor. Uma aldrabice que rendeu votos.

Por todo o País há estradas novas - algumas sem grande utilidade, como na Madeira -, obras paradas por falta de dinheiro, centros de saúde em todas as freguesias, assistência domiciliária, lares, escolas com falta de alunos e uma qualidade de vida exactamente igual (algumas vezes superior) ao que nos é dado viver. Tudo muito igual, tanto nas boas decisões como nos erros e nas asneiras dos governos e autarquias. A Madeira é igual a Portugal, para o bem e para o mal.

Só é diferente numa coisa: no nível e na educação, social e política, de quem governa. Sim, porque nenhum governante nacional se atreveria a tratar portugueses, de forma boçal e vergonhosa, como 'pata rapada'. Nenhum, por mais totalitários que fossem os seus objectivos, desceria tão baixo, separando o Povo de pretensos 'doutores', ou, como se dizia no tempo da ditadura suja e bafienta que massacrou este País, 'senhores de se tirar o chapéu'. Ninguém, de Norte a Sul, se atreveria a proferir semelhante frase. E ninguém a admitiria.

Também visto com alguma distância, só pode causar riso um texto de quem deveria governar sobre a Maçonaria. Com um resumo histórico que se pode obter na wikipédia, são recordadas as origens de uma organização que marcou a evolução social e democrática de todo o mundo. A Maçonaria, como relata quem deveria gastar o seu tempo a procurar tirar a Região da situação em que a colocou, foi opositora aos tiranos de toda a espécie. Perseguida por reis, senhores feudais, pelo clero e a sua tenebrosa Inquisição, pelo império britânico, mais tarde pelos fascistas, pelos nazis e pelos comunistas de Estaline. Um passado que, seja lá qual for a sua actividade actual, é grandioso.

Um passado que ajuda a compreender a obsessão pela Maçonaria. No texto que provocou riso, só foi omitida uma coisa: para se ser admitido, iniciado como é dito, é preciso ter categoria para isso. Algo que quem chama 'pata rapada' ao Povo que o elegeu, ao longo de mais de três décadas, não tem, nem nunca teve.