A Madeira já viveu um tempo onde corria ouro, recebíamos milhões de euros da UE, da República e dos impostos dos madeirenses. Nessa época, o modelo de desenvolvimento imposto, bem como os caprichos, os desperdícios e o esbanjamento só ouviam a contestação dos partidos da oposição e de alguns, poucos, madeirenses que recusaram abdicar do seu sentido de cidadania ativa. Todos os outros, desde políticos do regime, responsáveis desportivos, associações profissionais e outras agremiações culturais e sociais nunca se opuseram à estratégia suicida do regime, antes pelo contrário, uniram-se em prol dos interesses pessoais do momento. Calaram-se, alimentaram os seus caprichos, encheram-se de prepotência irresponsável ou ajudaram a humilhar aqueles que alertavam para os erros estratégicos e que apresentavam, nos lugares próprios, propostas alternativas. Pois tornou-se logo evidente que a estratégia assumida em tantas áreas estava errada e indiciava um fim catastrófico. Hoje, ao atingirmos uma crise sem precedentes e num tempo em que o partido do regime está em cacos, tornou-se vulgar ouvir algumas vozes de contestação que estiveram todo este tempo em silêncio. Agora é fácil! Nunca é tarde para acordar, mas para os madeirenses este atraso trouxe-lhes consequências irreversíveis. Só agora é que esticam o pescoço para fora do cesto e denunciam que há "clima de medo na Região", que tem de haver "melhor democracia"? Só agora é que se aperceberam de que há "excesso de clubes na Região" e que os investimentos no desporto não podem continuar da mesma forma? Só agora é que um presidente de uma associação veio afirmar que "No passado houve fundos desviados para carros, casas e piscinas"? Embora demasiado tarde, é importante para a nossa democracia que surjam do interior da máquina estas vozes de incómodo, porque chegou a hora de mudar o rumo da Madeira no sentido de um desenvolvimento sustentável em prol dos interesses dos madeirenses.
Rui Caetano, Professor