O acto de abandonar animais à sua sorte é inqualificável, inaceitável e imoral. Infelizmente, cada vez mais esse mesmo acto parece ser praticado com uma normalidade que assusta.

Abandonam porque vão de férias, porque incomoda, porque larga pelo, porque ladra, porque está doente, porque teve crias e, agora, como se todas estas razões não fossem já suficientemente deploráveis, abandonam porque há crise.

Entendo as dificuldades porque passam muitas famílias, mas não entendo, nem aceito que as soluções para os problemas passem pelo abandono cobarde de animais, como não entenderia que passassem pelo abandono inaceitável de qualquer outro membro da família.

Desculpem a franqueza, mas há outras soluções bem mais humanas. Existem associações que podem ajudar, nomeadamente com a alimentação e com a esterilização. Nada justifica, por isso, o acto de abandonar, de virar as costas.

Esta crise que atravessamos vai fazer com que percamos muitas coisas: qualidade de vida, emprego, direitos adquiridos, seria, no entanto, bom não perder a humanidade e a razão. Duas características que nos definem como espécie e que escapam a todos aqueles que abandonam os seus animais de companhia.

Nas estradas onde deixam gatos e cães, é bom que saibam que também deixam um pouco de coração e razão.