1 - De herói a vilão ou desgraçado vai um pequeno passo. Muitas vezes a desclassificação depende da disposição e do humor de quem classifica. Outras, a maioria, da inveja, da mesquinhez, da dor de cotovelo. Que o diga Cristiano Ronaldo! Para os apreciadores da má-língua, o rapaz tem de estar sempre em forma, marcar golos, bem-disposto, sorridente, cantar o hino, oferecer camisolas, conduzir um carrito de segunda mão, não ligar às mulheres, esconder o dinheiro debaixo do soalho, não sair de casa e dar beijos e abraços aos fãs. Eh pá, não acham que é demasiada a pressão invejosa que exercem sobre este jogador, só porque é rico e dá-se ao luxo de fazer o que a maioria de nós também faria se tivesse os milhões que ele tem! É preciso compreender que tal como nós no nosso trabalho, os atletas têm altos e baixos independentemente do estatuto que tenham. Ronaldo tem o estatuto de ser um dos melhores do Mundo, mas também é um ser humano como qualquer outro e também quebra. A época foi desgastante no Real Madrid e a luta com Messi não é brincadeira. Falhar o penalty contra o Bayern para a Liga dos Campeões foi arrasador para o jogador. Confio que Ronaldo vai dar a volta por cima e já contra a Holanda vai calar muitas bocas. Penso que nesta fase, o que lhe falta é tranquilidade e isso trabalha-se através da mente. Acho que deveria de estar menos sujeito ao treino físico e passar ao treino mental. A estrutura da selecção deve ter gente capaz de preparar Ronaldo para enfrentar e ultrapassar este mau momento. 2 - Os dois jogos de Portugal neste Euro foram antagónicos. Contra a Alemanha faltou-nos sorte, contra a Dinamarca acabamos por ter sorte. A selecção tem jogado com alguma dinâmica, mas padece de um homem de área. A equipa tem alguns desequilíbrios. É pena que a teimosia de Paulo Bento tenha deixado de fora o Bosingwa e Ricardo Carvalho. Se calhar também Liedson e Quim. 3- Recentemente realizou-se na Madeira mais umas jornadas médico-desportivas. Os temas foram interessantes. Alguns prelectores também. Pena é que os agentes desportivos mais ligados ao fenómeno, tivessem desprezado a iniciativa. Depois queixam-se e criticam que na Região nada se faz para mudar mentalidades e sistemas. Valeu o interesse dos alunos universitários.
Mário Gouveia, Jornalista