Há coisas que deveriam ser óbvias. As pessoas que nos visitam procuram, acima de tudo, de acordo com estudos da DRT, um bom clima, uma paisagem magnífica e um ambiente calmo. Acrescentemos a isso o que têm sido os nossos mercados tradicionais - as geriatrias europeias - e chegamos a várias conclusões. Temos um clima ameno, mas que não nos permite dar garantias, por exemplo, de sol, ou de ausência de chuva. As temperaturas - e isto é uma vantagem competitiva - também nunca são excessivamente altas. Resumindo, embora o clima seja genericamente um fator positivo, é algo sobre o que não temos controlo. Em termos da paisagem, a maior dificuldade parece ser, nos últimos anos, conservar o que já existe. Nos últimos anos parece ser ponto de honra introduzir betão em todas as paisagens naturais existentes pelo arquipélago. O mesmo acontece com a calma. Principalmente no Funchal, a ausência de ruído significativo foi substituída pela enorme variedade de ruídos urbanos. Cada vez somos menos diferentes, e no que somos diferentes, as vantagens parecem ter-se esbatido. E como somos menos diferentes acabamos por ser confundidos com outros destinos, o que não nos permite assumir os ganhos decorrentes de um destino diferenciado, com uma oferta de qualidade para mercados premium. E isto força-nos a vender Madeira a preço de saldo. A mercados que não estão preparados para a realidade madeirense, e para quem a felicidade é sol a rodos, lojas iguais a todos os outros destinos visitados e muita gente. A infelicidade é toda nossa…
Roberto Loja